02 maio 2017

Resenha - Em águas sombrias, Paula Hankins


Livro: Em águas sombrias
Autor(a): Paula Hankins
Editora: Record
Páginas: 362
Adquira: Saraiva Submarino
Livro cedido através da parceria com a editora
Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã. Jules não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre para cuidar da filha adolescente que a irmã deixou para trás. Mas Jules está com medo. Com um medo visceral. De seu passado há muito enterrado, da velha Casa do Moinho, de saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos… Com a mesma escrita frenética e a mesma noção precisa dos instintos humanos que cativaram milhões de leitores ao redor do mundo em seu explosivo livro de estreia, A garota no trem, Paula Hawkins nos presenteia com uma leitura vigorosa e que supera quaisquer expectativas, partindo das histórias que contamos sobre nosso passado e do poder que elas têm de destruir a vida que levamos no presente.


A cidade de Beckford era cercada por um extenso rio. Ele não nascia nem morria pelas redondezas, apenas passava por ali oferecendo aos moradores um local para se banharem ou fazerem um piquenique. Nel Abbott sempre teve um fascínio pela água, em especial por aquele trecho do rio logo abaixo do penhasco. Fosse verão ou inverto, todos os dias ela nadava ali, mas as histórias que cercavam aquele lugar a atraía mais do que a água em sí.

Diziam as lendas locais que, na época de caça as bruxas, uma menina foi condenada e deixada para se afogar naquelas águas por conta de seus conhecimentos sobre ervas e cura. Libby não escolheu seu destino, mas outras mulheres foram até ali por sua própria vontade, fazendo com que o lugar ficasse conhecido por Poço dos Afogamentos.

- Quantas morreram ali? Quer dizer, ao todo?
- Desde quando? - perguntou ele, voltando a balançar a cabeça. - Até quando você gostaria de voltar no tempo?

Nel cresceu na casa do moinho com seus pais e sua irmã mais nova, Julia, e foi pra lá que retornou depois de adulta. Ela tinha um projeto em andamento chamado Poço dos Afogamentos. Ele reunia fotos, relatos sobre as mortes e tudo o mais que ela pudesse apresentar sobre o local. Acontece que ele nunca chegou a uma editora e nem chegaria. Ao que tudo indica, Nel se rendeu ao seu encanto do local e se jogou do penhasco. Os fatos obrigam Jules à retornar para a cidade, o lugar que ela mais odeia no mundo. Além de acompanhar as investigações policias, ela se tornou a responsável legal de Lena, uma jovens de 15 anos. A sobrinha que nunca conheceu.

Em águas sombrias é um thriller que vai tentar confundir sua cabeça de todas as formas. A narrativa é feita tanto em primeira quando em terceira pessoa através de dez personagens distintos, além dos trechos do livro que estava sendo escrito por Nel. De início a quantidade de nomes e ligações assusta, mas não é algo que venha a prejudicar a leitura. Ainda assim, é extremamente desnecessário. Nos primeiros capítulos todos demonstram para o leitor que sabiam muito mais do que estavam dispostos a contar. Aqueles que não se achavam culpados pelo ocorrido, tinham questões mais antigas que não gostariam que viesse a tona.

Os capítulos são curtos, alguns não passando de três páginas, o que deixou a leitura mais dinâmica. A escrita da autora é bem gostosa de ler, mas apesar de ter ficado curiosa para desvendar o mistério dessa morte e de outra que aconteceu recentemente, não era algo que me consumia quando eu não podia ler. Não li o primeiro livro da autora, mas ouvi inúmeros elogios sobre sua narrativa, e achei a trama de A Garota no Trem muito inteligente quando assisti. Então sim, eu esperava muito mais.

Ainda assim. Eu não estava gostando daquilo. Não estava gostando do fato de duas mulheres terem morrido naquelas águas no intervalo de dois meses e de elas se conhecerem. Tinham uma ligação, com o local e com as pessoas. Eram ligadas por Lena: melhor amiga de uma, filha da outra.

A história não é ruim, só é fraca. A história é dividida em três partes que poderiam ser resumidas da seguinte forma: a primeira é uma apresentação dos personagens e suas ligações, a segunda é quando a investigação começa de forma mais efetiva e a terceira é o desfecho da história. Vários desses personagens começam a contar suas histórias de forma paralela, o que trás a tona o suicídio de Katie. Se eles estão ligados ou não, é uma coisa que você precisa ler para descobrir, mas os personagens que cercam as duas personagens se interligam.

Mesmo com tantas pessoas, consegui identificar um protagonista. Eu realmente achei que seria Nel, mas transferir isso para sua irmã. Em grande parte dos seus capítulos, Jules parece estar tento uma "conversa interna" com sua irmã. Ela conta para os leitores sobre a infância delas, mais exatamente sobre fatos que aconteceram 12 anos antes e que influenciaram diretamente na relação das duas. Os personagens e suas tramas foram bem construidos, mais elas foi a única com quem tive tempo de criar empatia. Aliás, o fato da autora ter aprofundado questões individuais de alguns desses narradores, pode ter sido um dos fatores que me passou essa sensação de que Nel não era suficiente para carregar um livro

A dedicatória da autora vai para as mulheres encrenqueiras e em vários momentos do livro se fala sobre essas encrenqueiras, mas eu achei que a ideia não foi bem desenvolvida ao decorrer do livro. Quando penso em mulheres ditas como encrenqueiras, penso em muitas situações distintas e não consegui enxergar isso em quase nenhum das mulheres que foram retiradas do Poço dos Afogamentos. O ar sobrenatural que roda esse local também não foi bem utilizado. Na realidade eu não entendi o porque a autora reacendia essa ideia de tempos em tempos. Quando fui apresentada ao livro, esse foi um dos pontos que mais chamou minha atenção, mas a história não tem nada de sobrenatural.

Beckford não é um lugar de suicídios. Beckford é um local para se livrar de mulheres encrenqueiras.

A edição da editora Record está linda. A diagramação apresenta fontes confortáveis, assim como os espaçamentos e margens. As folhas são amareladas e não encontrei nenhum erro de revisão. Comentários sobre essa capa não são necessários, certo? Está um arraso! Essas letras ondulantes são um detalhe maravilhoso e elas ainda vieram com uma sutil aplicação, para da uma textura na capa.

Descobri que esse livro foi escrito antes do já publicado pela autora, mas também que ele foi reescrito por ela para que fosse publicado. Se isso aconteceu mesmo, só reafirma minha opinião de que essa é uma história fraca, mas que o livro está longe de ser ruim. Sei que destaquei mais os pontos negativos do que os positivos, mas é porque não há muito o que ser contado sem acabar com a graça de quem vai ler. Ninguém aqui quer spoilers né? Eu continuo querendo muito ler outro livro da autora, acho que o potencial dela é enorme.

- Eu não entendo você. Não entendo gente como você, gente que sempre escolhe culpar a mulher. Se tem duas pessoas fazendo uma coisa errada e uma delas é mulher, a culpa deve ser dela, né?

Se você gosta de suspense e esta sem o que ler no momento, pegue Em águas sombrias. Será uma leitura rápida e agradável. Caso você tenha lido outro livro da autora, segure a sua expectativa para uma melhor experiência.

11 comentários

  1. Aaaa quero ler esse ai! Eu conheço o outro livro da autora e imagino que esse deva ser tão bom quanto!

    beijos
    ooutroladodaraposa.com.br

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  2. Puxa, que capa incrível!!! Vou afirmar que é uma das mais lindas que já vi até hoje!!!Estou encantada!
    Como não conhecia a história, já quero muito. Mesmo você dizendo que está fraca, o enredo é bem diferente. Fiquei aqui me questionando o que eu faria se fosse comigo. Tipo, conviver com a culpa, as dúvidas.
    Vai para a lista de desejados e espero muito poder ler!
    Beijo

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  3. Dreeh!
    Suspense é sempre bom para se ler, mas quando bem desenvolvido e que prende o leitor, não quando vemos uma escrita misturada entre os protagonistas e e o enredo um tanto confuso.
    Deve ser complicado ser denominada de encrenqueiras, mesmo que não surjam durante o livro as encrencas.
    Ainda assim, desejo conferir.
    Desejo um mês abençoado!
    “Muitas palavras não indicam necessariamente muita sabedoria.” (Tales de Mileto)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  4. Não li A Garota no Trem só assisti o filme. Tenho que concordar a capa esta um arraso o que chamou minha atenção foi ela, tinha ficado interessada agora nem sei mais rs. É uma pena que a historia seja fraca. Achei que tem muitos personagens no começo fico confusa quanto a isso fico até voltando páginas para lembrar quem é quem mesmo, mas depois vou me familiarizando com eles. Pena não ter o sobrenatural que adoro nem que for um pouquinho que seja rs. Mas fiquei curiosa em saber sobre as mortes, sobre os segredos que os personagens escondem e se eles tem alguma culpa no ocorrido.

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  5. Eu amei a capa desse livro! Estava querendo ler pra tirar de mim a impressão que ficou depois de A Garota No Trem. Não é que seja uma leitura difícil, porque é uma leitura bem fluida, na necessidade de saber o porque das coisas que vão acontecendo a gente acaba terminando o livro bem rápido, mas achei a Rachel uma protagonista muito fraca e confesso que o final do livro me deixou meio "que que tá acontecendo". Espero que esse seja melhor nesse sentido, mas pelo visto não é. Uma pena :/

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  6. Essa edição está maravilhosa, quando vi a capa de cara já gostei da história, quando li a sinopse fiquei louca para desvendar todo o mistério a respeito dessa morte. No entanto após ler sua resenha fiquei um pouco decepcionada, pois imaginava um Thriller cheio de revira voltas, principalmente por ter bastante personagem, porém não foi o percebi muito pelo contrário, ainda sim pretendo dar uma chance a leitura.

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  7. Suspense sempre é bom, mas quando é bem escrito.
    Imagino que um livro narrado por 10 pessoas seja um pouco confuso.
    Mas gostei muito da ideia dele. Gosto muito de thriller.

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  8. Oi Dreeh,
    Quero muito conhecer a escrita tão elogiada dessa autora, ainda não tive a oportunidade de ler o livro “A garota no trem” e nem de assistir ao filme. Adoro um bom thriller, com um suspense de tirar o fôlego e que prende o leitor, então que pena que essa história é fraca, que o potencial do enredo não foi bem desenvolvido. Não vou criar muitas expectativas quando tiver a oportunidade de ler.
    Realmente, essa capa chama muito a atenção!
    Beijos

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  9. Queria muito ler aquele outro livro dela e por isso esse também me chamou atenção. Mas nossa, será que é fraco mesmo? Aí desanima...
    Mas ao mesmo tempo ainda tenho vontade de ler e acho que seria até melhor começar por ele e ler o outro depois. Talvez assim dê pra notar se a autora melhorou, se o jeito de contar a história ficou mais intenso e coisas do tipo. Achei essa boa, mas não vou esperar muito então pra não quebrar a cara né =/

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  10. Olá,
    Essa historia me pareceu bem interessante, tem aquele ar sombrio, um pouco de misterio nele, gostei bastante nisso!
    No momento não li nada da autora mas esse pode ser o começo de conhecer essa escrita que me fez gosta!

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  11. Adorei a capa e a sua resenha ficou ótima e por ser um thriller que tenta confundir a cabeça do leitor já me deixou curiosa, ainda não li nada da autora, e por essa ser uma leitura rapida com certeza eu leria.

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