18 janeiro 2017

Resenha - Sonata em Punk Rock, Babi Dewet


Livro: Sonata em Punk Rock (Cidade da Música #1)
Autor(a): Babi Dewet
Editora: Gutenberg
Páginas: 300
Adquira: Saraiva | Submarino | Travessa | Americanas | Livraria Cultura
Livro cedido através da parceria com a editora
Por que alguém escolheria uma orquestra se pode ter uma banda de rock? Essa sempre foi a dúvida de Valentina Gontcharov. Entre o trabalho como gerente do mercado do bairro e as tarefas de casa, o sonho de viver de música estava, aos poucos, ficando em segundo plano. Até que, ao descobrir que tem ouvido absoluto e ser aceita na Academia Margareth Vilela, o conservatório de música mais famoso do país, a garota tem a chance de seguir uma nova vida na conhecida Cidade da Música, o lugar capaz de realizar todos os seus sonhos. No conservatório, Tim, como prefere ser chamada, terá que superar seus medos e inseguranças e provar a si mesma do que é capaz, mesmo que isso signifique dominar o tão assustador piano e abraçar de vez o seu lado de musicista clássica. Só que, para dificultar ainda mais as coisas, o arrogante e talentoso Kim cruza seu caminho de uma forma que é impossível ignorar. Em um universo completamente diferente do que estava acostumada, repleto de notas, arpejos, partituras, instrumentos e disciplina, Valentina irá mostrar ao certinho Kim que não é só ele que está precisando de um pouco de rock’n’roll, mas sim toda a Cidade da Música.


Valentina respira música. Sua vida tem um trilha sonora de punk rock e quando não está trabalhando no mercadinho do bairro, para ajudar nas contas de casa, está com seu violão sonhando com o dia em que ingressará na Academia Margareth Vilela. Agora que tem a oportunidade de realizar seu sonho, ela não sabe o que fazer.

O maior conservatório de música do país não só a aceitou, como ainda descobriu que ela possui um dom raro para musica, o que explica sua facilidade de aprendizado, mas... caramba! Sozinha sua mãe nunca conseguiria arcar com os estudos e aceitar a ajuda do seu pai, se é que se pode chamar assim um homem que abandona sua família e reaparece depois de dez anos, não é uma opção muito convidativa.

Só que entre o orgulho e a música, ela prefere a segunda opção. O que a leva a embarcar em uma experiências incrível! A cidade da música fica na região serrana do Rio de Janeiro e gira em torno do conservatório. Um local onde tudo é movido a música, com certeza é o melhor lugar do mundo. Porém, ser hard core em uma instituição totalmente clássica não vai ser fácil. Carregar o sobrenome do violinista mais famoso Brasil e odiar o cara também não vai contribuir para tornar sua experiência em um conto de fadas. Mas é aquilo, tudo sempre pode piorar. Ainda bem que Tim é persistente e não desiste fácil de seus sonhos.

A verdade é que quando se faz o que gosta, tudo começa a fazer sentindo e a valer a pena.

Sabe quando você começa uma história totalmente sem expectativas e ela te surpreende muito? Foi o que aconteceu comigo. Me encantei com a escrita da Babi logo no primeiro capítulo. É leve e fluida,  como se você estivesse escutando uma história contada por sua amiga. A forma como as informações foram sendo inseridas na história, aos poucos e com muita naturalidade, também ajudou para essa sensação gostosa. Em uma série, é comum que os assuntos fiquem pendentes de um livro pro outro e a autora surpreendeu ao não fazer isso. Babi Dewt deu o ritmo certo para a história, nada de enrolação ou correria. Apenas um pequeno gancho foi deixado para a continuação. Resumindo, me apaixonei pela autora. Se eu já queria conhecer sua primeira série, agora tenho ainda mais vontade.

Pelo pouco que sigo da Dewet, imaginei que ela abordaria assuntos contemporâneos como sonoridade e feminismo, e de fato encontramos isso e muitas outras coisas. Mas foi tão natural, que só mostra o quanto atitudes assim sempre estiveram presentes em nossa vida, só que agora temos um nome que os define. Também tem a questão do pai dela que, além de interessante, pode render muito assunto nas continuações. Os pais da Tim eram bem novos quando ela nasceu, e depois o pai foi embora dizendo que não estava preparado para assumir aquela responsabilidade. Ele seguiu seus sonhos, alcançou o sucesso como musicista e quando descobre que a filha abandonada é talentosa, decide aparecer com uma desculpa tosca. Ele vai para a lista de personagens insuportáveis, junto com a diretora da academia que, por sinal, é mãe do Kim.

Se não for difícil, não tem esforço. E, se não tiver esforço, ninguém se torna mais do que medíocre. (...) Se estiver fácil demais, você está fazendo errado.

Kim é bem famoso entre os alunos do conservatório. Além de ser um prodígio no piano, é sua cara que estampa todo o material publicitário do local. O pessoal pode pensar que essa combinação de fatores o transformou em um cara antipático e arrogante, mas ninguém o conhece de verdade... Seu caminho e o de Tim se cruzam de maneira torta, mas é por conta do piano que eles vão se aproximar e isso mudará tudo em sua vida.

Desde a primeira aparição eu soube que tinha algo a mais com esse garoto, que ia sair coisa boa dali e saiu. Muito! Ele é um personagem bem construido, assim como os demais, e só fez acrescentar a trama.

Deixa eu falar sobre o trabalho gráfico, que está incrível! Essa capa transmite todo o espírito do livro, além de ter uma ilustração belíssima. Se eu gostasse um pouco mais de música, ia querer colocá-la em um quadro na parede. Internamente ele é até simples, mas todo capítulo começa com o nome de um música e tem playlist no Spotify. Por sinal, eu não conhecia quase nenhuma das músicas. A diagramação também inclui algumas trocas de mensagens e notas musicais dividindo as cenas. A mesma letra usada para o título das músicas, aparece quando a autora transcreve as frases de uma música. Essa é uma prática esperada em um livro tão musical, mas a autora a utilizou com sabedoria, e isso só me fez amar ainda mais esse livro.

A vida é como uma orquestra; são necessários muitos instrumentos em harmonia para que a música toda faça sentido. Mas, na maioria das vezes, você nem sabe tocar esses instrumentos.

Esse é o tipo de livro que falta nas prateleiras para incentivar os jovens a lerem mais. Ele tem o espírito jovem, referências atuais e muita informação bacana para esse público.

4 comentários

  1. Já li muita coisa positiva sobre as letras da Babi. Só ainda não consegui ler nada dela, mas depois desta resenha, é claro que a vontade aumentou.
    Adoro leituras leves e que ainda tragam a música como pano de fundo e porque não, história central.
    Personagens que se encaixam e de quebra, ainda trazem sua bagagem para agregar ainda mais.
    A capa é belíssima e o livro vai para minha lista de desejados com certeza!
    Beijo

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  2. Olá!
    A capa desse livro é muito alegre e convidativa. Nunca li nada da autora, mas pretendo ler e talvez comece por esse livro.
    Parece uma leitura leve e divertida.
    Sua resenha está muito bem elaborada. Obrigada!
    Beijos.

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  3. Muito obrigada pela resenha! Adorei saber sua opinião e fiquei muito feliz que gostou do livro!! <3

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  4. A forma de como me interessei pelo livro, foi simplesmente por ter visto um Marca Páginas com o visual da capa!
    Me encantei de tal forma, mesmo sem ter lido a Sinopse, me apaixonei pelo nome da Série, pelo Piano em que ela está tocando... Amei cada detalhe!
    Consegui comprar ele apenas agora, e estou lendo. Realmente é uma escrita leve, estou super amando, e me interessando cada vez mais pela história!
    Sem falar, que já quero os outros livros da autora!

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