29 janeiro 2017

Resenha - O papel de parede amarelo, Charlotte Perkins Gilman


Livro: O papel de parede amarelo
Autor(a): Charlotte Perkins Gilman
Editora: José Olympio
Páginas: 112
Adquira: Saraiva | Submarino | Buscapé
Livro cedido através da parceria com a editora
Este clássico da literatura feminista foi publicado originalmente em 1892, mas continua atual em suas questões. Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman, ele narra, em primeira pessoa, a história de uma mulher forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa passageira. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, a protagonista fica obcecada pela estampa do papel de parede do seu quarto e acaba enlouquecendo de vez. Charlotte Perkins Gilman participou ativamente da luta pelos direitos das mulheres em sua época e é a autora do clássico tratado Women and Economics, uma das bíblias no movimento feminista. Esta edição de O papel de parede amarelo, que chega às livrarias pela José Olympio, traz prefácio da filósofa Marcia Tiburi.



papel de parede amarelo é um conto escrito por Charlotte Perkins Gilman no século XIX. Narrado em primeira pessoa, o enredo apresenta uma protagonista que segundo o marido e o próprio irmão médico encontra-se adoentada e por isso lhe é impedido qualquer tipo de esforço, trabalho ou convívio social até que uma melhora seja apresentada.

Para a melhora de nossa protagonista, seu marido decide que é necessária uma mudança da família para um lugar mais tranquilo, onde a esposa possa descansar e desfrutar da natureza, por isso ele decide alugar uma casa no campo por três meses, talvez dessa forma sua mulher possa melhorar e voltar a agir como o esperado.

Contudo no decorrer da trama vamos percebendo alguns fatos, a esposa “adoentada” ama escrever, porém isso lhe é impedido e por vezes ela escreve escondido do marido e da cunhada que julgam esse comportamento inadequado, afinal para a época o que se esperava de uma mulher não era um dom tão intelectual, ela deveria apenas cuidar da casa, do marido e dos filhos, algo que para muitas mulheres talvez não fosse suficiente e que possivelmente as afetava e tornava infelizes aquelas que não se adequavam a tal realidade.

Outro ponto importante da história é o fato da esposa abominar de início não apenas a mudança em sua rotina, mas a escolha do quarto que o marido define ser o melhor, julgando suas reclamações e observações como tolice. Mas o grande mistério da história sem dúvidas é o papel de parede amarelo que domina as paredes do quarto ao qual a esposa passa todo o seu tempo de forma ociosa, um papel horroroso que ao mesmo tempo lhe causa repulsa e fascínio.

Embora o tempo inteiro a protagonista deixe claro que John, o marido, seja muito bom para ela e queira seu bem, em alguns pontos percebemos contradições por parte de suas palavras, quando é perceptível que a presença do marido lhe cause cansaço, já que é impossível ser sincera com ele e existe sempre a necessidade de representar a mulher perfeita ao seu lado. Sem contar o fato de que John é um homem "atarefado", passa pouquíssimo tempo com a espoca e a mudança para o campo parece deixar a mulher cada vez mais trancada com suas ideias e afastada do convívio com outras pessoas.

O papel de parede amarelo foi uma leitura intrigante e ao mesmo tempo esclarecedora em relação aos sentimentos e dificuldades enfrentadas pelas mulheres que para a época não tinham o direito de escolher o próprio caminho, sendo tratadas desde o nascimento como propriedade dos pais para em seguida adquirirem o papel de propriedade de seus maridos.

Eu não costumo ler muitos contos e comecei a ler esse livro despretensiosamente, no entanto me vi completamente afetada pelos dilemas da protagonista incompreendida tanto por mulheres e homens que julgavam seu comportamento fora do padrão, algo como uma doença a ser tratada.

No fim do livro ainda temos um posfácio falando sobre a história da autora e o quanto sua própria vida inspirou esse conto. Tenho que confessar o quanto à história de Charlotte me intrigou, fiquei admirada com sua trajetória e interessada em conhecer mais de seus livros e do próprio tema.

O papel de parede amarelo é um clássico da literatura feminista, e para quem se interessa ou simpatiza com o assunto, a leitura é mais do que recomendada.

Um comentário

  1. Eu sou apaixonada por contos! Mas confesso que não conhecia este.
    E só de ler, já quis muito. O título já intriga, daí vem uma resenha onde há mais do que se é escrito.
    Mulheres sempre sofreram demais, ainda mais "naquela época", onde as proibições eram ainda maiores.
    Lerei com certeza!
    Beijo

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