20 maio 2017

Resenha - A Rainha Vermelha, Victoria Aveyard


Livro: A rainha vermelha (#1)
Autor(a): Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Páginas: 424
Adquira: Saraiva Submarino
Uma sociedade definida pelo sangue. Um jogo definido pelo poder. O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.


O mundo atual é dividido em monarquias, onde a cor do sangue define a posição de um indivíduo na sociedade. Os prateados, com seus poderes especiais, estão no topo da pirâmide, ocupando todas as posições de comando e vivendo no luxo proporcionado por seus criados. Os vermelhos são pessoas comuns, que trabalham até o esgotamento para manter o conforto dos superiores, enquanto suas próprias famílias apenas sobrevivem.

Devido as longas décadas de guerra territorial enfrentadas por Norta, o destino dos jovens vermelhos dessa nação estava bem definido. Quem chegasse aos dezoito anos e não fosse aprendiz de uma profissão, seria recrutado para o exército e enviado para as trincheiras. Mare Barrow claramente estava nessa situação. Ela passou os últimos anos ajudando a família como podia através de pequenos furtos cometidos na aldeia onde mora ou nas redondezas, mas em menos de um ano ela seguiria o caminho de seus irmãos mais velhos.

Quando um guarda aparece em sua porta pela levá-la ao Palacete o Sol, uma das residências temporárias do governo, muitos desfechos e motivações passam por sua cabeça, mas nenhuma delas corresponde a realidade. Mare agora faz parte do corpo de criados do palácio, mas no seu primeiro dia de trabalho um acidente que seria fatal acaba revelando que ela é mais que uma simples vermelha.

Algo no escudo me transformou. Ou talvez tenha libertado alguma coisas, revelado uma parte de mim que por muito tempo mantive sepultada. O que sou?

Em um passado remoto, o sangue da população foi um só. Não há muitas explicações sobre o como ou a época em que eles começaram a se distinguir, mas ninguém nunca viu um vermelho com poderes de um prateado. A corte reage rápido, tecendo uma rede de mentiras para enganar todos que presenciaram a criada vermelha saindo ilesa de uma série de obstáculos mortais, entre eles um combate contra a futura rainha de Norta. A descoberta é chocante e assustadora, mas não poderia ter acontecido em momento mais inoportuno.

Após anos de servidão, os vermelhos estão cansados de serem humilhados, de morrer de fome ou lutando uma guerra que não é deles. Um grupo que se auto intitula Guarda Escarlate assumiu a responsabilidade por um atentado a órgãos do governo que aconteceu no dia anterior. Suas reivindicações são óbvias e o governo está longe de querer atendê-las.

Presa ao rei e sua família até que eles decidam o contrário, Mare decide barganha para proteger aqueles que ama. Ela aceita assumir um personagem que odeia, onde precisará ocultar quem é para manter vivos todos aqueles que ela deixou para trás. Acontece que o ódio é um poderoso motivador e Mare está disposta a entregar sua vida em prol de seus ideias. Viver com o inimigo precisa ser útil de alguma forma.

Eu costumava imaginar os prateados como deuses intocáveis que nunca se sentiam ameaçados ou amedrontados. Agora sei que é o contrário. Passaram tanto tempo no topo, protegidos e isolados, que se esqueceram de que podem cair. Sua força se converteu em fraqueza.

Ler desesperadamente é muito mais simples que resenhar um livro tão bom e cheio de reviravoltas como esse. A Rainha Vermelha abre uma quadrilogia que causou muito burburinho lá fora por ter seus direitos autorais vendidos antes mesmo da sua publicação. Vários amigos já haviam me recomendado muitíssimo essa leitura, tanto que acabei comprando os dois primeiros livros e comprar livros não é algo que tenho feito nos últimos anos. Mais é aquela realidade de todo leitor, são tantos os livros a serem lidos que você não da conta de tudo e assim acabei adiando essa leitura por tempo demais.

Eu comecei a leitura com as expectativas no céu e para minha surpresa não consegui engrenar na história. Foram longas cinquenta páginas de ambientação e apresentações, até que a ação começou e não consegui pensar em nada que não fosse finalizar a leitura. A trama criada por Victoria Aveuard é rica em todos os quesitos essenciais de um livro: mitologia, personagens, detalhes. Quando somadas a sua escrita simples e fluida, encontramos um livro realmente viciante.

Confesso que fiquei em transe durante a leitura, uma entrega total para ajudar Mare a desvendar todas as tramoias que estavam acontecendo ao seu redor. Agora que consigo me afastar da história para analisá-la racionalmente, identifiquei momentos que provavelmente foram inspirados em outras distopias. Não levem isso como uma crítica negativa, afinal de contas a autora conseguiu criar um enredo totalmente único e muito surpreendente, é só uma observação mesmo.

Prateada e vermelha, e mais forte que ambos.

Como todo livro de abertura, A Rainha Vermelha trás muitas informações sobre esse mundo tão igual e ao mesmo tempo tão diferente do nosso. Além disso somos apresentados a muitos personagens. Sobre eles, preciso tirar meu chapéu para a autora. Ela conseguiu fazer com que todos tivessem importância de alguma forma.

Mare é uma protagonista com a língua afiada, que não abaixa a cabeça porque é o que esperam dela. Ela acaba se envolvendo em um pequeno triangulo amoroso com os dois príncipes de Norta. Seu primeiro encontro com Cal, o futuro rei, aconteceu antes dela pisar na corte, quando ela o confundiu um um vermelho abastado de quem conseguiria afanar algo. Apesar de ter uns momentos de rebeldia velados, ela é tudo que se espera dele como rei e como homem. Já Maven, o príncipe mais novo, acaba se tornando seu noivo depois de todos os acontecimentos no palácio. Ele sempre foi uma sombra pálida de seu irmão, o senhor perfeito aos olhos do pai. Mare entende muito bem como ele se sente, e essa empatica acaba por os aproximar cada dia mais. Há outros, muitos outros personagens. Alguns altamente inescrupulosos, outros tão adoráveis quanto Cal.

Minha cabeça está a mil. Ele me arranjou este emprego, ele me salvou, salvou minha família - e é um deles. Pior que um deles.Um príncipe. O príncipe.

Caso você não tenha captado, existe sim um triangulo amoroso aqui, mas até eu que odeio essa situação, vibrei com eles. Para minha surpresa, o romance começa como plano de fundo e assim permanece até o final do livro. Em pouquíssimos momentos a autora os coloca em evidência, mas no final você vai perceber quais eram as verdadeiras intenções da autora. O foco é sempre a guerra iminente e as intrigas políticas.

E o final, gente, QUE FINAL! Nenhum das muitas reviravoltas do livro me prepararam para o que estava por vir. O climax vai se construindo gradualmente pelos capítulos finais e depois que você fica em choque com as revelações, a autora vem e nos surpreender com uma porrada atrás da outra. É uma sequencia de acontecimentos que vão te deixar estarrecidos quando fechar o livro. Minha sorte é que eu já tinha a continuação e pude me jogar nela sem nem parar para respirar.

A edição física do livro está a altura de sua história. A capa é metalizada, refletindo ao ponto de machucar os olhos. O título vem em alto relevo, assim como a coroa coberta de sangue. Não há muitas cores na capa, mas o contraste do vermelho com o prata é o suficiente para representar muito bem a história. A diagramação é bem simples, sendo os capítulos numerados, as páginas amareladas e a fonte confortável para a leitura.

Parte de mim deseja se submeter às correntes, a uma vida cativa e silenciosa. Mas eu já vivi uma vida assim, na lama, nas sombras, numa cela, num vestido de seda. Jamais serei submissa de novo. E jamais vou parar de lutar.

Se você ainda não leu esse livro, largue tudo o que você estiver lendo e o pegue AGORA. Mas esteja preparado para embarcar nessa montanha russa de emoções que vai ocupar cada pensamento do seu dia.

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Postagem válida para o TOP COMENTARISTA, Participe!
Valendo um exemplar de O Sol Também é Uma Estrela.
 

10 comentários

  1. Dreeh!
    Já tive oportunidade de ler esse livro, embora ainda não tenha lido os outros da série.
    Foi uma das melhores distopias que li, justamente porque gosto de protagonistas com poderes e quando a Mare entra em cena... com sua língua afiada e soltando faísca para todo lado, aí o livro fica ainda mais emocionante, mesmo com o triêngulo amoro, que também não gosto muito.
    Livro fabuloso!
    Bom final de semana!
    “A sabedoria dos homens é proporcional não à sua experiência mas à sua capacidade de adquirir experiência.” (George Bernard Shaw)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  2. Eu devo ser a única pessoa na terra que ainda não leu esse livro.
    E já vou logo falando que ainda não li pq estou esperando uma promoção boa para comprar!
    Todos falam bem desse primeiro livro, mas já do restante da série não falam tão bem.
    Mas mesmo assim quero ler. Sou curiosa.

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  3. Este foi sem sombra de dúvidas, um senhor livro!!!
    As reviravoltas, o descobrir-se. Mare é uma protagonista forte demais, destemida e ao mesmo tempo,frágil em seu jeito de preocupar-se com a família.
    Apesar de seu destino estar já definido, ela luta.
    A diagramação do livro é outro ponto importante, está belíssima.
    Quero muito ler os livros seguintes.
    Beijo

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  4. E estou com ele aqui parado na estante! Mas caramba, esses livros parecem ser tão bons que merecem ser lidos um depois do outro, não é não? Estou adiando porque quero ter o máximo que puder pra ler e até agora só tenho dois. Se pegar e gostar demais tenho medo de esquecer os detalhes até lançarem os próximos :S
    A história parece viciante mesmo, cheia de reviravoltas e adorei essa personagem! Até o tal triangulo amoroso não parece batido e clichê. Ah, assim fico só mais curiosa! Parece valer muito a pena a leitura. E pra quem foi lançado já com ideia de adaptação vindo aí tem que ter algo muito bom nessa história mesmo pra fazer tudo isso.

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  5. Ainda não li a série mas sei que é muito boa e pretendo conferir em breve quem sabe esse ano quero começar e conhecer os protagonistas.
    Até mais!!!

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  6. Leio muitos elogios sobre a série, mas ainda não deu para ler. Gostei da Mare por ser uma personagem maravilhosa, proteger os que ama e lutar pelo que quer. Adoro historias assim que tem reviravoltas e surpreendem são as melhores, é uma pena esse triângulo me deu até uma desanimada.

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  7. Também estou com os três primeiros livros da série paradas na minha estante, e apesar de ser um livro que como você tenho altas expectativas, confesso que tenho receio de me decepcionar. Mesmo sabendo que a autora conseguiu construí uma trama cheia de revira voltas e surpresas, além de uma estória bem desenvolvida. Espero que quando eu tomar coragem, que eu não me decepcione.

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  8. Tenho essa serie em e-book mas quero comprar em fisico, acho linda essa capa e sempre vejo falarem bem foram poucas as coisas ruins que li sobre e nada que me fez mudar de ideia. Espero comprar esse no mes que vem, mas quero ter a continuação em mãos pois tenho certeza de que irei gostar dessa leitura.

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  9. Oi Dreeh,
    Surtei com esse livro, realmente é uma leitura muito viciante. Amei a escrita da autora, sua narrativa é eletrizante, e depois que a história engrena é impossível largar. Foram tantas reviravoltas, revelações e informações. Estava ansiosa para ler que quando o livro chegou furou fila, ai li o livro em menos de 24 horas e pra meu azar não tinha (e ainda não tenho) a continuação. É o que dá devorar o livro e não ter a continuação em mãos haha
    Que sofrimento! Ainda mais depois daquele final. GENTE, que foi aquilo? Jamais esperava tanta porrada assim, mas não nego, amei tudinho.
    Também não curto triangulo amoroso, mas esse ai merece aplausos. Fiquei chocada com tantas reviravoltas.
    Preciso dar um jeito e comprar os próximos livros logo.
    Beijos

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  10. Olá,
    Amei a sua resenha, eu tenho o livro e com uma grande oportunidade de aproveitar essa leitura incrível, me lembrou um pouco a seleção divido em casta, já esse é lê-lo sangue, achei diferente e ao mesmo tempo igual.

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