21 abril 2017

Resenha - A Sereia, Kiera Cass


Livro: A Sereia
Autor(a): Kiera Cass
Editora: Seguinte
Páginas: 320
Adquira: Saraiva | Submarino
Livro cedido através da parceria com a editora
Uma menina misteriosa. O garoto de seus sonhos. A Água entre eles. Anos atrás, Kahlen foi salva de um naufrágio pela própria Água. Para pagar sua dívida, a garota se tornou uma sereia e, durante cem anos, vai precisar usar sua voz para atrair pessoas até o mar e afogá-las. Kahlen está decidida a cumprir sua sentença à risca, até que ela conhece Akinli. Lindo, carinhoso e gentil, o garoto é tudo com que Kahlen sempre sonhou. Apesar de não poderem conversar — pois a voz da sereia é fatal —, logo surge uma conexão intensa entre os dois. É contra as regras se apaixonar por um humano, e se a Água descobrir, a sereia será obrigada a abandoná-lo para sempre. Mas pela primeira vez em muitos anos de obediência, Kahlen está determinada a seguir seu coração.


Kahlen se tornou sereia aos dezenove anos, durante uma viagem marítima com sua família. Certa noite, uma melodia atraiu todos os passageiros para o convés. De tão encantadora, ela desorientou todos a bordo. A chuva torrencial foi se mostrando desimportante na medida em que a vontade de estar envolta pela água aumentava. A necessidade de tê-la preenchendo cada espaço do seu corpo era tão grande que todos pularam na águas.

É o impacto de seu rosto contra a água que desperta Kahlen do transe. Em um ano desesperado, ela promete fazer qualquer coisa para sobreviver e é prontamente atendida pela própria Água. Em troca da vida, Kahlen precisa doar seus próximos 100 anos para a Água. Durante esse tempo, ela não sofrerá com nenhum doença ou machucado. Seu corpo será preservado até que seu tempo de servidão acabe. Sua voz se torna letal ao humanos, mas sempre que a Água chamar, ela precisa cantar para hipnotizá-los até que tenham o mesmo fim que sua família.

Parte mãe, parte carcereira, parte chefe... Era uma relação difícil de explicar.

As oito décadas que se passaram desde aquela noite não foram fáceis para a garota. Kahlen sofre demais com sua missão, tanto que criou diários para não esquecer de nenhuma das vidas que tirou. Só que promessa é promessa e como nada poderia mudar sua situação, ela faz o seu melhor, se tornando a sereia favorita da Água.

Enquanto suas irmãs tiram proveito da juventude e do dinheiro oferecido pela Água, Kahlen prefere ficar reclusa, na companhia de um bom livro. Além disso, interagir com os humanos sem poder emitir um ruído sequer não é algo que a deixe confortável. Isso até conhecer Akinli. O rapaz não se incomoda com sua falta de palavras e ao poucos começa a despertar nela sentimentos adormecidos.

Akinli não sabia direito o que havia de errado comigo, e mesmo assim queria que eu ficasse. Ele não sabia o perigo que eu corria, mas estava pronto para enfrentá-lo por mim.

A Água não transforma mães ou esposas em sereia pois seria fácil para elas lhe desobedecerem. É por esse mesmo motivo que Ela não aceita que suas garotas se apaixonem. Para Kahlen, isso nunca foi um problema, mas agora talvez seja. Ou será, assim que ela para de fingir para si que seus sentimentos por Akinli são maiores do que uma simples amizade.

A Sereia foi o primeiro livro escrito por Kiera Cass e após todo o sucesso com a série A Seleção (que eu devorei loucamente) ela decidiu melhorar leia-se reescrever a história e republicá-la. Como fã da autora, eu criei uma grande expectativa sobre essa leitura - ainda mais por ser uma história única - e acabei me decepcionando. A autora deixou sua marca registrada na narrativa, que é viciante e não te deixa largar o livro mesmo quando você quer fazer isso, só que ficou muito óbvio que essa história foi pensada em um momento menos 'maduro' dela.

Os acontecimentos são lineares, monótonos e um tanto previsíveis. O que manteve minha curiosidade aguçada foi a mitologia criada, que é um tanto cruel, mas bem interessante. Conheci histórias com diversos tipos de sereias, só que nenhuma delas agia em função de uma terceira pessoa. Aqui a Água é uma entidade e ela não se alimenta de vidas humanas simplesmente porque é legal. É como se fosse um ecossistema, mas ainda sim é estranho pensar nisso.

Muito do marasmo da história é por conta da narradora, que é extremamente passiva e submissa. Ela tem medo até seus pensamento! Akinli é quem a faz sair da inércia em que estava vivendo. Sempre bem humorado, ele demonstra sua lealdade nos momentos certos e talvez por isso consiga ser o empurrão que Kahlen precisava para sair da inércia em que estava vivendo. Ela começa vagarosamente, com uma rebeldia aqui, um questionamento lá... mas é melhor do que nada né?

E de repente percebi o que me deixava tão desconfortável nas aventuras de Elizabeth. As pessoas que ela atraía ficavam fascinadas com as mesmas coisas que fascinavam todo mundo: nossa pele brilhante, olhos sonhadores e um ar misterioso. Mas esse garoto? Parecia enxergar mais do que isso. Me enxergava não só como uma beleza misteriosa, mas como uma garota que ele queria conhecer.

Graficamente, é possível fazer uma comparação entre esse livro e as demais publicações da autora. As capas originais foram mantidas e todas elas tem esse lance de vestidos e talx. O cenário é brasileiro e ficou lindíssimo, mas eu gostaria que a modelo estivesse usando algo mais parecido com os descritos na história. Os vestidos criados pela Água são compostos de pequenas partículas de areia que grudam no corpo das garotas para que elas não fiquem expostas ao sair da água. É apenas um detalhe, mais deixaria a edição mais encantadora do que já é. A diagramação é exatamente a mesma da série A Seleção, só que temos conchas no lugar de coroas
 
Apesar de não ter me empolgado com a história, gostei do desfecho criado pela autora. Se você for fã da Kiera ou estiver de precisando de um livro para passar a tarde, pode aposta nesse daqui. Só controle suas expectativas.

Sempre há pessoas cruéis, e nem todas recebem o que merecem.

5 comentários

  1. Oi Dreeh
    Bom, eu terminei essa leitura ontem e estava louca atrás de alguém pra falar sobre. Eu também devorei A Seleção e amei. Mas minhas expectativas para esse livro não estavam muito altas, por ter sido o primeiro livro da autora e pela possível imaturidade na escrita. Acredito que tenha sido essa baixa expectativa que me fez gostar tanto do livro.
    Eu adoro criaturas mitológicas e adorei a forma como a autora mudou uma história sempre presente. Terminei a leitura em lágrimas e com gostinho de quero mais, louca para saber o que aconteceu com as outras sereias e como foi o primeiro recontato de Kahlen com a Água.

    Vidas em Preto e Branco

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  2. Que pena que deixa a desejar, eu tenho vontade de ler ainda não li nenhum livro da autora e fiquei curiosa com essa promessa da personagem para as águas de tirar a vida das pessoas, deve ser um martírio isso para ela, não conseguiria fazer isso. E com uma vontade de saber como termina esse relacionamento dela com a água e com o rapaz.

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  3. Ai Dreeh!
    Que pena a utora não ter se saído tão bem nesse livro e ter tornado o enredo monótono e até previsível, porque achei a premissa até diferente e interessante.
    Gosto de livros com mitologia que fala sobre sereia.
    Bom feriado!
    “Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria.” (Campbell)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

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  4. Não conheço o trabalho da autora e admito que era muito pé atrás com A Seleção. Até que li inúmeras resenhas e o amor pela autora, coisas que me fizeram mudar de ideia e hoje, desejar sim conhecer os livros.
    Este acima eu ainda não conhecia, mas não é um tema que eu aprecie muito. Gostei da capa e vou deixar na lista de desejados, quem sabe num futuro, eu acabe não lendo?
    Beijo

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