02 outubro 2017

Resenha - Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi, Joachim Meyerhoff


Livro: Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi
Autor(a): Joachim Meyerhoff
Editora: Valentina
Páginas: 352
Adquira: Saraiva | Amazon
Livro cedido através da parceria com a editora
Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, como o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade - e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos. Joachim Meyerhoff narra com afeto e graça a vida de uma família extraordinária em um lugar igualmente extraordinário. E a de um pai que, na teoria, é brilhante, mas falha na prática. Afinal, quem mais conseguiria, depois de se propor a intensificar a prática de exercícios físicos ao completar 40 anos, distender um ligamento e nunca mais tornar a calçar o caro par de tênis? Ou então, em meio à calmaria, ver-se em perigo no mar e ainda por cima derrubar o filho na água? O núcleo incandescente do romance é composto pela morte, pela perda do que já não pode ser recuperado, pela saudade que fica - e pela lembrança que, por sorte, produz histórias inconcebivelmente plenas, vivas e engraçadas.


Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi narra a história de vida de Joachim, um menino de sete anos que vive com a família em uma propriedade do Hospital Psiquiátrico de uma cidadezinha alemã, na qual seu pai é o administrador.

Em um dia como outro qualquer durante o caminho para a escola, Joachim encontra um homem morto no jardim, tal acontecimento o deixa impressionado, por isso o menino chega ao colégio exibindo o seu achado, afinal não é todo dia que se encontra um morto em seu caminho. E mesmo que seus colegas ou a professora não dê muita importância para o assunto, esse dia o deixará marcado pelo resto da vida.

Caçula de três filhos, Joachim sempre se sentiu inferiorizado em relação aos irmãos mais velhos, fato que nos faz acompanhar suas constantes comparações com os irmãos, que faziam de tudo para menosprezar as habilidades do menino, algo que por vezes o deixava cabisbaixo e com bastante raiva.

Por conviver diariamente em um local habitado por pessoas especiais, Joachim se adaptou bem cedo em ter sua vida vinculada a alguns pacientes, tornando-se um garoto incomum, com amigos inadequados e experiências bem diferentes para alguém de sua idade.

Cada vez mais tenho a impressão de que o passado é um lugar ainda mais inseguro e instável que o futuro. O que deixei para trás deveria ser algo seguro, concluído, que já fora e só esperava para ser narrado, e o que tenho pela frente não deve ser o chamado futuro a ser moldado?

Divido em memórias, o livro narra as diversas fases da vida do personagem, da infância a vida adulta. Durante essas passagens de tempo, vamos nos aprofundando mais nas peculiaridades do protagonista, em sua relação com a família, com os pacientes e em seus ataques de fúria.

Falar sobre esse livro não é algo fácil por tratar-se de uma leitura que foge completamente da minha zona de conforto. Foi uma experiência um tanto inusitada, mas de grande valor, contudo devo alertar que o livro foge do comum justamente por não possuir um tema central, mas sim o dia a dia de uma família vivendo em meio a um hospício, algo bastante incomum a uma família tradicional. E talvez por esse motivo eu não tenha conseguido me conectar a história como imaginava que aconteceria.

O final do livro embora não possua um acontecimento marcante, foi bem intrigante. Aqui acompanhamos a trajetória de Joachim, suas amizades, conquistas, perdas, loucuras e a evidente marca deixada por uma vida traçada em meio a um ambiente nada convencional a uma criança.

Em relação à edição física, a Editora Valentina como sempre está de parabéns! A capa está linda, as páginas são amareladas, a fonte possui um bom tamanho para leitura e não me lembro de ter encontrado erros de revisão.

Em suma, Como Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi possui uma escrita fluída e uma trama de fácil compreensão. Não foi uma leitura que me prendeu como eu esperava, mas certamente indico para que tirem suas próprias conclusões.


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Postagem válida para o TOP COMENTARISTA, Participe!
Valendo um exemplar de Tartaruga até lá embaixo.

7 comentários

  1. Glaucia!
    Por vezes fico imaginando o que se passa na cabeça de vários autores, sério!
    Um enredo que poderia ser bem desenvolvido e com oportunidade de mostrar a real influência da família e da figura paterna na vida das pessoas e como suas experiências infantis levam a formação de um adulto complicado, torna-se um livro sem objetivos.
    Uma pena!
    Que outubro venha carregado de boas energias!
    “O tempo é teu capital; tens de o saber utilizar. Perder tempo é estragar a vida.” (Franz Kafka)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  2. Puxa, nada convencional! E com um tema que foge totalmente a tudo que já foi publicado(pelo menos eu não conheço nada do gênero).
    Mas sinceramente, desde o título, capa...e o enredo, parece um quebra-cabeças, onde tudo se encaixa, onde tudo deveria estar ali.
    O fardo deste menino parece ser tão grande, tão pesado..e ao mesmo tempo, tão leve e poético.
    Vai para a lista de desejados, com certeza!
    Beijo

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  3. Já vi resenhas sobre esse livro, boas e ruins. E o título? Que exagero? Ou será que não é? Não li o livro e estou curiosa sobre ele, já que tem pessoas que gostaram e outras, não.

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  4. A premissa do livro é interessante. Digo, a capacidade de o meio no qual vivemos nos marcar e transformar por toda a vida, ainda mais na infância esse período em que estamos aprendendo e absorvendo praticamente tudo ao nosso redor. Por esse não ser o meu gênero mais lido, é com certeza uma boa oportunidade de "sair da zona de conforto".

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  5. Olá, a obra, que exala singularidade, chama atenção por contar com uma trama aparentemente parada, mas que vai aprofundando valores como determinação e amizade. Espero ler em breve, beijos.

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  6. Não é um tipo de livro que eu tenha costume de ler, mas parece ser bem tocante e que nós faz refletir muitas coisas.
    Fiquei intrigada com personagem e acho que daria uma chance a leitura, sempre é realmente bom sair da nossa zona de conforto ás vezes.

    beijos
    She is a Bookaholic

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  7. Olá Glaucia! O livro realmente é algo fora do comum, e título por si só é uma grande incógnita e foi o que mas me chamou a atenção, além de todo o sofrimento que o personagem principal passa. A falta de amor dos pais parece ser o fator mais gritante e o menino tem que suprir essa falta de carinho de alguma forma, no caso por uma amizade inusitada. Nunca li nada do tipo e como não sou muito de sair da zona de conforto não sei se leria. Beijos

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