10 outubro 2017

Resenha - Inventei você?, Francesca Zappia


Livro: Inventei você?
Autor(a): Francesca Zappia
Editora: Verus
Páginas: 346
Adquira: Saraiva | Amazon
Livro cedido através da parceria com a editora
Alex está no último ano do ensino médio e trava uma batalha diária para diferenciar realidade de ilusão. Armada com uma atitude implacável, sua máquina fotográfica, uma Bola 8 Mágica e sua única aliada — a irmã mais nova —, ela declara guerra contra sua esquizofrenia, determinada a permanecer sã o suficiente para entrar na faculdade. E Alex está bem otimista com suas chances, até se deparar com Miles. Será mesmo aquele garoto de olhos azuis com quem ela compartilhou um momento marcante no passado? Mas ele não tinha sido produto da sua imaginação?
Antes que possa perceber, Alex está fazendo amigos, indo a festas, se apaixonando e experimentando todos os ritos de passagem tipicamente adolescentes. O problema é que ela não está preparada para ser normal. Engraçado, provocativo e emocionante, com sua protagonista nada confiável, Inventei você? vai fazer os leitores virarem as páginas alucinadamente, tentando decifrar o que é real e o que é invenção de Alex.

Resenha escrita em dupla com a Nathália, do blog Segredos Entre Amigas.

Inventei Você, livro de estreia de Francesca Zappia narra a história de Alex, uma adolescente com um diagnostico bem delicado, ela sofre de esquizofrenia e precisa lidar com sua doença enquanto tenta levar uma vida normal.

Morando com os pais e a irmã mais nova, Alex está passando pelos dilemas vividos por qualquer jovem americano, a conclusão do ensino médio em uma nova escola e a escolha da faculdade. Deveria ser tudo uma rotina comum entre as transições adolescência/jovem adulto, mas para nossa protagonista as coisas não são tão simples, já que Alex vive a constante luta entre distinguir o real do imaginário.

Para tentar manter as aparências, Alex esconde sua esquizofrenia de todos na escola, já que explanar sua doença lhe renderia o título de louca, algo bem comum para aqueles que enfrentam esse diagnostico. Conclusão: Ela não tem um amigo que possa ajuda-la a definir quais experiências são frutos de sua imaginação e quais de fato são reais, sendo assim, embarcamos em uma jornada junto a protagonista em suas alucinações ou não, algo que por vezes nos impede de separar realidade e fantasia. Por esse motivo tanto o leitor quanto Alex precisam tentar desvendar o que de fato está ocorrendo na vida da garota.

Em sua nova escola, Alex reconhece um garoto que conheceu em sua infância, mas que sempre achou ser fruto de sua imaginação. Seria isso uma brincadeira de sua mente? Ou Miles realmente existiu no seu passado e também existe agora? Essa é mais uma informação que ela precisará desvendar.

Eu não podia me dar ao luxo de tomar a realidade como algo bem definido. E não diria que odiava as pessoas que podiam, porque, basicamente, eram todas as pessoas. Eu não as odiava. Elas não viviam no meu mundo. Mas isso não me impedia de desejar viver no mundo delas.

Por se tratar de uma personagem um tanto especial, Alex tem a necessidade de fazer o reconhecimento do perímetro diariamente, verificar sua comida em busca de substâncias que possam prejudica-la e até mesmo manter distância dos nazistas que insistem em persegui-la. Para ajudar em suas verificações, ela anda munida de uma câmera fotográfica, registrando tudo ao seu redor para ter a certeza de que enxerga a realidade.

Durante sua rotina no novo colégio, Alex se aproxima de Miles, faz novas amizades e tenta a todo custo manter uma rotina comum, vivendo as expectativas do final do ensino médio e desvendando alguns mistérios que surgirão em meio à trama. Mas lidar com sua própria mente não vai ser fácil, e esconder seus dilemas dos novos amigos será pior ainda. Até quando ela conseguirá manter a fachada de adolescente comum? Só lendo para saber...

Narrado em primeira pessoa pela perspectiva de Alex, somos apresentados a suas versões do fato e ficamos com a dúvida constante do quanto de realidade existe nos relatos da protagonista. Achei essa sacada da autora bem inteligente, já que somente descobrimos a verdade quando Alex também o faz, motivo que nos faz questionar se tudo não passou de uma mera invenção de sua mente conturbada.

No entanto algumas revelações surgem ao longo da leitura, uma em especial que fez meu coração acelerar e se entristecer ao mesmo tempo, me senti enganada e foi difícil digerir a verdade por trás daquela situação.

Em suma, Inventei você? foi uma história cativante, não vou dizer que foi uma leitura rápida, mas sim uma trama que me ganhou um pouco mais a cada página devido a complexidade vivida por Alex e pela construção tanto da história quanto dos personagens.

Indico o livro para quem busca um YA sensível, reflexivo e com uma pitada de romance e mistério.


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Valendo um exemplar de Tartaruga até lá embaixo.

11 comentários

  1. Não conhecia o livro, mas adoro quando abordam doenças psicológicos.
    Adorei a premissa do livro e a resenha.
    Fiquei curiosa para saber mais sobre Alex, e essas revelações despertaram minha curiosidade.
    Não sou muito fã de YA, mas esse parece ter uma mistura excelente de romance, mistério e sensibilidade.

    beijos
    She is a Bookaholic

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  2. Olá Glaucia! Acho tão legal esses novos livros incluindo pessoas com deficiências e outras especificidades. Já criei um vínculo com a Alex, pois não deve ser nada fácil não poder confiar na própria mente. Quero muito ler o livro e acompanhar as descobertas e experiências da protagonista, bem como ela lidará com as situações difíceis. Beijos

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  3. Olá, apesar de parecer confusa e precisar ser lida com cuidado para entender os fatos, essa reviravolta bombástica do final me deixou intrigado para ler. Beijos.

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  4. Oi Glaucia,
    Quando a mente é nosso maior inimigo as simples tarefas diárias, como frequentar a escola ou fazer uma refeição, podem ser grandes desafios, principalmente para uma adolescente como a Alex que só quer ter uma vida normal. O surgimento de Miles em sua vida pode ser o que irá definir sua sanidade, pois ou ele representará o início de uma amizade (algo que ela não tem) ou será a constatação de que sua doença chegou a um nível preocupante. Mesmo o enredo de Inventei você? me parecer ser voltado para um público mais jovem, o livro conseguiu chamar minha atenção, pois nunca li nenhuma obra com um(a) protagonista esquizofrênico.

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  5. Puxa, não conhecia o livro, mas já tinha ficado encantada com a capa que é belíssima!
    Aí vem a sinopse e resenha e eu estou como? Querendo demais conhecer mais sobre a Alex e tentar entender o seu mundo particular.
    O real, o imaginário..a doença(tão pouco explorada ainda).
    Quero muito poder ler!
    Beijo

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  6. Esse já está na minha lista de desejados há um tempinho desde que foi lançado aqui no Brasil, estou só esperando a BF pra adiquirir. Eu fiquei super curioso e instigado pra ver como é o ponto de vista de uma pessoa na condição da protagonista e ainda mais com uma pitada de romance... super curti.

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  8. Desde de que vi num vídeo do Livraria em Casa - quando ainda nem tinha a versão em português - tô de olho nesse livro, infelizmente a gente é pobre e tem que esperar o preço baixar pra comprar.
    Amo livros que nos fazem imergir na mente de um personagem, ainda mais quando este tem alguma condição em particular, fico fascinada pela experiência de ver coisas tão simples do meu dia-a-dia retratadas de maneiras tão diferentes em outras visões. Com mais uma resenha positiva sobre esse livro, a vontade de ler só aumenta mais <3
    Beijos, e, ah, seu blog é lindo, por sinal ^^

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  9. Esse livro parece ser daqueles que te faz sentir conectado com o protagonista, faz um tempinho que não leio livros que tenha como tema alguma doença, achei bem legal a autora colocar o leitor na visão da Alex e fazer a gente saber somente o que ela sabe, sentir as dúvidas que ela sente e querer saber, junto com ela, o que é real e o que não é, com certeza vou ler esse livro.
    Beijos!

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  10. Olá!
    Que história interessante. Eu não tinha conhecimento dessa doença. A história me deixou em curiosa por conhecer essa personagem e embarca na aventura dela para descenda ser é real ou não as coisas que passa com ela. A trama é uma premissa boa e já me fez coloca na lista de leitura.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  11. Desde que soube que este livro se tratava de um romance onde a personagem tem o transtorno esquizofrênico eu quis ler a obra, principalmente porque a autora teve uma sacada de mestre, em abordar tão perfeitamente um dos principais sintomas da doença, que são os delírios e alucinações, onde a própria começa a enxerga, ouvir, e tocar coisas irreais. Enfim, poder entrar em sua mente, e fazer junto dela esta descoberta para mim vai algo sensacional, já quero ter esta obra em mãos.

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