02 setembro 2016

Resenha - Antes de Partir, Colleen Oakley


Livro: Antes de partir
Autor(a): Colleen Oakley
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 320
Adquira: Saraiva | Submarino | Travessa | Americanas | Livraria Cultura
Livro cedido através da parceria com a editora
Na véspera do que esperava ser uma triunfante comemoração de três anos livre do câncer, Daisy, 27 anos, sofre um golpe devastador: seu médico lhe diz que a doença está de volta, desta vez ainda mais agressiva. Tendo apenas de quatro a seis meses de vida, ela está apavorada com o que será de seu marido, Jack, quando não estiver mais lá para cuidar dele. Esse medo tira seu sono, até que uma solução lhe vem à mente: ela precisa encontrar outra mulher para ele. Com uma determinação singular, Daisy visita parques, cafeterias e sites de relacionamento à procura do par perfeito para Jack. Mas, à medida que ela avança em sua busca, ela se vê forçada a decidir o que é mais importante no curto tempo que lhe resta: a felicidade de seu marido ou a sua própria?

Resenha escrita em parceria com o Leonardo, do blog Recanto da Mi.


Daisy teve câncer de mama aos 24 anos. Depois de passar pela cirurgia e por traumáticos processos de rádio e quimioterapia, ela começou a festejar cada ano livre da doença. Acontece que, logo após a celebração dos três anos de remissão, no qual também comemorava o fim dos exames semestrais, o câncer voltou generalizado, mais forte e mais agressivo, atingindo o pulmão, o fígado e os ossos e, principalmente, o cérebro, que continha um tumor do tamanho de um laranja. O médico foi taxativo, Daisy não tinha mais do que poucos meses de vida, e como ela faria para lidar com todas as implicações de sua morte iminente?

Quem tem câncer duas vezes antes de completar 30? Não é como ser atingido duas vezes por um raio? Ou comprar dois bilhetes de loteria premiadas em uma vida? É como ganhar na loteria do câncer.


Segundo um folheto escrito para pacientes terminais, Daisy estava vivenciando todas as fases da sua moléstia, como se era esperado: a negação, a barganha, bem como a depressão. Quando se está saudável, sempre se pressupõe que a melhor saída para encarar uma situação como essa é fazer as malas e partir rumo a Itália ou qualquer outro lugar do mundo que se queira conhecer, já que essa seria a última chance para se realizar os nossos sonhos mais profundos. Porém, agora, com a morte batendo à porta dela, tudo que Daisy quer é se afundar cada vez mais em sua cama. E ela se permite isso, até cair a ficha de que seu marido precisa dela mais do que nunca. Logo ele, que nem se dá ao trabalho de recolher as meias usadas do pé da cama... como ficaria após a sua partida?

É nesse momento em que Daisy decide procurar uma nova esposa para o seu amado. Por motivos óbvios, a tarefa é difícil e exige um desprendimento enorme, mas tudo se complica com a sua falta de prática no quesito paquerar (mesmo que seja online). Ela conheceu Jack ainda nova e logo soube que ele era a pessoa certa, então pulou totalmente a fase dos flertes.

É o Jack. Meu marido [...] E a nossa conexão enche meu coração de espanto e satisfação. Acho que todos os casais sentem isso em algum momento - que a ligação entre eles é a mais especial, a mais forte, o Maior Amor de Todos. Não sempre, só naqueles poucos-e-espaçados momentos em que você olha para a pessoa que está ao seu lado e pensa: Sim. É você.

Daisy precisa ser forte duplamente para enfrentar esse período que abala a sua confiança na mesma proporção em que a impulsiona para frente.

***

DREEH: Antes de partir foi um livro que, primeiramente, me surpreendeu. Não sou fã de sick-lits, pois acho mórbido demais ler uma história em que você sabe que o final é triste e inevitável. Todavia, quando li a sinopse me foquei muito na "procura por uma nova esposa para seu marido", e esperei por um texto mais descontraído. Claro que não foi bem isso que aconteceu, mas a autora fez um ótimo balanço entre os sentimentos ali apresentados. Nos momentos em que Daisy se afundava na depressão, a leitura perdia um pouco o ritmo, para logo depois voltar ao normal nas outras situações retratadas.

BARB: O foco da trama está situada em como lidar com a morte, contudo, a autora igualmente abordou outras questões interessantes com a mãe e a melhor amiga da protagonista. Kayleigh, por sinal, é a grande responsável por dar aquelas sacudidas em Daisy, mas também sabe o momento certo de ouvir. Sem dúvida, ela é encarregada por trazer leveza e equilibrar o enredo.

DREEH: E o que falar sobre o Jack? Eu o vi através dos olhos de sua esposa e, inevitavelmente, me apaixonei por ele. Esse sentimento só serviu para nos deixar ainda mais incomodados com a forma que ele reagiu à nova realidade. Nos esforçamos para entender a dor, o conflito que acontecia dentro dele e para aceitar que, apesar de suas limitações, Jack estava se esforçando para aceitar a nova situação. Porém, acho que a autora pecou em não desenvolver mais a relação dele com a esposa. Senti falta de uma simples conversa ou um abraço entre os dois.

Esse é o problema de ser especializada em psicologia. Não posso apenas ter sentimentos como pessoas normais. Tenho de tentar compreendê-los. É cansativo.

BARB: Quanto à edição, ela está linda. Essa capa não tem uma ligação direta com a narrativa, mas podemos interpretá-la de forma mais conceitual como, por exemplo, esses galhos secos, lembrando o outono, podem ser comparados ao momento no qual Daisy está vivendo, em que está murchando e que em breve retornará à terra (que profundo isso, gente!). E a mulher doando o seu coração pode ser relacionada à toda situação, enfim... A diagramação do exemplar é simples e os capítulos são subdivididos em meses. A fonte e o espaçamento são confortáveis para a leitura, mas infelizmente há alguns errinhos de digitação, entretanto, não desmerecem a obra.

DREEH: De todos os momentos compartilhados conosco, aquele que mais me doeu, foi quando vi Daisy se anulando em prol do futuro do marido. E me machucou porque eu ia querer agir da mesma forma que ela, mas não sei se conseguiria ser tão dedicada assim, tendo em vista os problemas que eu mesma estaria enfrentando. A minha empatia para com a personagem foi muito instantânea, no entanto, mesmo que vocês não consigam se pôr no lugar de Daisy, tenho certeza de que ainda assim terão seus corações partidos por esse livro.

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8 comentários

  1. Oi.
    A resenha está perfeita, demonstrou muito bem os sentimentos envolvidos na história. Só de ler , já fiquei bem reflexiva. No momento não pretendo fazer a leitura, pois estou evitando livros que me deixem tristes, pois tive uma perda na família, há pouco tempo e ainda estou muito sentimental. Mas, de qualquer forma, acredito que tenha uma bonita mensagem. Beijos.

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  2. Olá!
    Que livro emocionante, não sei se teria coragem de ler pois eu sei que iria ficar deprimida por muito tempo após terminar a leitura. A resenha está maravilhosa e consegue transmitir o que vocês sentiram lendo o livro.

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  3. Que livro legal, amei a resenha. A capa é linda e parece as capa da Jojo.
    Beijos e um bom final de semana!
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  4. Eu vi um filme ontem que lembra um pouco essa situação. Ao menos, na parte da doença. E no ter que deixar quem se ama. Não me vejo vivendo isso, apesar de viver em médicos, mas não desta forma cruel. E ainda mais tendo que caçar uma esposa pro marido..rs Isso sim que é amor!
    Vou tentar ler o livro, porque gostei demais de tudo que li acima!!!
    Beijos

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  5. Oi tudo bem...
    Adorei a capa e apesar de ser um livro com final triste quero muito ler ,gostei bastante da premissa do livro,mas honestamente nem sabendo que iria morrer eu me voluntaria pra procurar outra pro meu marido..
    otima resenha..
    Um abraço e muito sucesso :)

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  6. Olá,
    Esse livro eu ainda não tive oportunidade de ler, mas já está na lista de leitura.
    Fico feliz que tenha gostado.
    Adorei o blog ♥
    Bjs e uma ótima noite!
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  7. Um livro clichê, cheio de drama, com dor sofrimento e mais drama, o que dizer: apenas adorooooooooo, sempre que vejo um livro com essa sinopse de tanta coisa acontecendo eu amo, porque sou dessas que adora histórias que terminam em lágrimas ou que rendem bons momentos de sofrimento literal. Mas uma coisa que me incomodou nesse livro é a capa que parece com os da Joo Moyes, isso foi muito chato!

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  8. Oi Dreeh,
    Eu AMO um romance com um bom drama, pois adoro acompanhar a superação e o recomeço dos protagonistas, essas histórias sempre trazem boas reflexões e isso sempre me cativa numa leitura. Então é claro que quero ler esse livro desde quando vi o lançamento, já sei que vou ficar completa e absolutamente emocionada com essa história. Não esperava nada mais do que um romance com enredo bem doloroso, então sei que vou gostar dessa história, que bom que a autora tratou um tema tão denso de uma forma mais leve.
    Beijos

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