08 setembro 2014

Resenha - Marcados, Caragh M. O’Brien

No futuro, o mundo é árido e hostil, dividido entre os que moram dentro do conforto da muralha, o chamado Enclave, e os que duramente tentam sobreviver no miserável lado de fora, como a jovem Gaia Stone. Aos 16 anos, assim como sua mãe, segue o ofício de parteira, e cumpre sem questionar o dever de entregar uma cota dos recém-nascidos para o Enclave. Porém, sem que ela entenda o porquê, seus pais são presos pelas mesmas pessoas a quem eles sempre serviram e desaparecem. Os esforços de Gaia para resgatá-los a levam para dentro da muralha, e ela acaba descobrindo a existência de um código, cujo significado pode colocar muita coisa em risco, mas que também ameaça sua vida e a segurança de sua família.

SÉRIE: Marcados #1
AUTOR: Caragh M.O’Brien
EDITORA: Gutenberg
EDIÇÃO: 2014
CONCEITO: 4 estrelas
PÁGINAS: 368
Livro cedido de parceria com a Editora Gutengerg
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Quanto mais distopias eu mais, mais agradeço pelo mundo caótico onde vivemos.

Após terríveis problemas climáticos, a Terra do ano de 2400 se tornou um lugar árido, onde seus moradores são castigados pelo sol. Ao que parece, não sobrou muita coisa além do Enclave e da pequena e paupérrima cidade que cerca seus muros. Gaia vive no setor oeste três junto com sua família composta por seu pai – um costureiro habilidoso – e sua mãe – uma parteira de renome, de quem ela herda os ensinamentos.

Todos na cidade servem ao Enclave, em troca de itens básicos a sobrevivência como água potável e barrinhas de proteína. A função de uma parteira é simples: entregar a eles os três primeiros bebês nascidos todo mês. Lá dentro, eles são adotados por uma família rica e vão usufruir de uma vida plena e cheia de regalias, sem nunca saber conhecer suas origens. Gaia nunca questionou o quão cruel aquele ato era para os pais biológicos, ela simplesmente fazia. Um dia, após o seu primeiro parto sem qualquer ajuda, ela chega em casa e se depara com o Sargento Grey. Ela é informada que seus pais estão detidos e que caso ela saiba de algum código feito por sua mãe, que ela deve informar ao Enclave.

Porque seus pais foram presos se eles sempre foram cidadãos exemplares? Que código é esse e o porquê ele é tão importante assim? Impulsionada por essas perguntas, Gaia procura descobrir um jeito de ultrapassar as muralhas. Seus pais precisam ser salvos e ela precisa de respostas.

Isso não significa que eu não seja responsável. Tomei aqueles bebês das mães. Entreguei-os para este... para esta sociedade insana. (pág. 210)

Marcados apresenta uma história descritiva, narrada em terceira pessoa, sempre sobre a ótica da protagonista. Ele é dividido em capítulos nomeados e apresenta bastante ação em suas páginas, mas infelizmente peca na quantidade delas. Mesmo com uma escrita fluida e gostosa de ler, a autora por vezes se tornou repetitiva e um tanto monótona, trazendo cenas que pouco acrescentavam ao enredo. E isso quebrando um pouco o ritmo da leitura.

Gaia é uma mocinha determinada e impulsiva, que não teve uma vida fácil, mas que ainda sim era feliz com sua família. Infelizmente seus pais pouco aparecem na história e a maior parte dos momentos em que nos deparamos com eles, são em memórias da personagem. A força dela é admirável para sua pouca idade. Em diversos momentos a sua impulsividade e teimosia me irritaram, mas não da para culpá-la. Com um governo autoritário, que não mede esforços para conseguir o que quer, ela não podia confiar em ninguém. Mesmo que a pessoa em questão provasse ser de confiança.

Existem muitos personagens secundários na trama e todos, de alguma forma, tiveram seu momento de influenciar na história. Mas como em toda boa distopia, é bom não se apegar muito a esses personagens... vai que alguém morre! A parte mais legal com relação a eles é que, assim como Gaia, nós também não sabíamos ao certo em quem confiar.

Há muitas maneiras de ser uma criminosa ou uma heroína. Não se esqueça disso (pág. 235)

O Sargento Grey tem sua aparição logo nos inicio do livro, mas quando nos deparamos com ele novamente logo percebemos que Grey será importante para o desenrolar da história. Ele é lindo, charmoso, mas tem aquele pequeno defeito de não conseguir falar o que deve ser dito. Não digo que ele é ingênuo, mas com certeza é uma alma de bom coração. Essa não é uma característica muito útil em mundos distopicos e por isso ele tem várias revelações ao longo das paginas.

A diagramação é simples: folhas amareladas, boas margens, fonte com tamanho confortável. Apenas um detalhe me incomodou muito, e acredito que possa ser incomodo para alguns de vocês, as falas são indicadas com aspas ao invés de travessões. A capa é lindíssima e tem tudo a ver com a história do livro. Cada detalhe dela deve ser sido milimetricamente pensando, porque ficou perfeita!

O final é avassalador. E por isso é que eu já estou adquirindo o meu Tortured - que é o livro 1,5 da série e que infelizmente está disponível apenas em inglês. Assim, quem sabe, eu agüento até o lançamento do próximo volume.

Aos amantes de distopia, essa é uma parada obrigatória. Por isso corram para ler e depois me contem o que acharam.

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25 comentários

  1. Sou apaixonada por distopias e como você disse, é obrigatório eu ler.Já to colocando no carrinho de compras e finalizando haha eu gostei muito dessa capa, ela é simples, mas simpatizei demais.
    Beijos

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  2. Eu gosto muito de distopia, e esse livro entrou pra minha lista de desejados, eu ainda não o conhecia mas agora vou correndo procura-lo na livraria, e a sua resenha me deixou muito curiosa para o destino do Sargento Grey (olha só o nome do personagem)...

    Abçs :)

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  3. Oi Andressa, tudo bem?

    Não vou muito com a cara de distopias, a única que deu super certo comigo foi Jogos Vorazes. Esse livro me chamou a atenção, mas não é prioridade. Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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  4. Oi, Andressa! Esse é um dos próximos da minha lista, estou muito feliz em ver que elogia o livro, assim me empolgo e me tranquilizo ahahahaha uhhuuull!! Espero que a editora traga o 1.5 para nós. De qualquer forma, conte depois o que achou, se possível.
    Beijos.

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  5. Principalmente o fato de eu estar correndo de coleções vai me impedir de correr para conseguir marcados haha! Não sei se gostei da história... Depois de um tempo parece que distopia esta meio saturado, é sempre o governo malvado, @ mocinh@ que se rebela... poxa vida, tem tanta coisa que pode dar certo, sabe? Enfim, não sou eu quem vai escrever, entao nao posso reclamar tanto né? AHuhue! E não posso negar que vou acompanhar essa distopia, de loonge... Talvez dar uma chance pra ela quando os outros ja tiverem sido lançados! Afinal, vai que me surpreendem? =D

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  6. Dreeh, Amoo dispotias! Adorei essa capa, só na sinopse e na capa já fui ganhada haahha

    Apesar de ver crueldade na doação de bebês, por outro lado acho que os pais biológicos "entenderiam" que a criança teria boas condições de vida... mesmo que eu nã oseja a favor de tirar uma criança de uma mãe né.

    Adorei seu comentário sobre distopias, de fato, não dá pra se apegar a nenhum personagem :(

    Também prefiro travessões! Me incomoda bastante a falta deles.

    Gostei muito da resenha, acredito que no meu hall de distopias, Marcados vale a tentativa!

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  7. Oiee.
    Diferente de você eu raramente leio distopias.
    Esse tipo de livro não me agrada e sempre é um drama pra terminar porque na maioria das vezes fico tentada a abandonar.
    Então como sei que não vou me apegar prefiro não ler, com esse não é diferente, não vi nada que me fizesse passar por cima dessa "aversão" ao gênero, então não vou ler.
    Bjokas!

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  8. Oi, Flor! Tudo bem?
    Gostei bastante da capa e o nome, combinaram perfeitamente e criaram um certo ar de expectativas aqui em mim, vamos ver! O início já me deixou com o coração na mão. Como uma amante da natureza, fico só com medo de pensar que o mundo um dia possa ficar assim. Mas de fato, é bem cruel separar os filhos das mães, logo assim ao nascer. Acho principalmente cruel com a parteira, obrigá-la a fazer um ato assim,
    Fico triste quando algo assim acontece, no meio de tanta ação, o autor diminui o ritmo e tudo fica repetitivo, torna a leitura cansativa e acabamos nos irritando, não é mesmo? Sim, ela é muito corajosa, disposta a enfrentar um governo e sair dali para achar os pais, ela já tem meu respeito e admiração. Acho que o pior é não saber em quem confiar, não é? Porque acabamos nos colocando no lugar da personagem e sentimos o que ela sente, ai acabamos ficando uma pilha!
    Gostei MUITO da sua resenha e principalmente a história, me parece intensa e que é capaz de chocar até a pessoa mais incrédula. Lá vai o livro para a minha lista, mas acho que esse vai passar na frente de alguns. Parabéns pelo blog, amei seu cantinho, e claro, virei sua seguidora, quero voltar bastante por aqui! E obrigada pela dica do livro <3

    Beijinhos,
    Percepções Blog | Grupo: Mais um livro, Por favor!

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  9. Eu tô louca por esse livro porque amo distopias. Desde a primeira vez que vi a divulgação, já fiquei com aquela vontadezinha de ler, depois vieram as resenhas e só confirmou.
    Só fiquei meio tensa com essa coisa de "não se apega, não" aos personagens. Acabou o especial, mas não acabou o tema. Socorro! kkkkk
    Esse lance das aspas me incomoda muito, especialmente no começo, mas depois eu acabo me adaptando senão não curto a leitura.
    Beijinhos!
    Giulia - www.prazermechamolivro.com

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  10. Oii,

    Eu amooo distopias e faz um tempo que eu não leio uma. Gostei da capa, sinopses e adorei a sua resenha <3 <3 <3
    Já vou adicionar na listinha :D

    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  11. Oi Dreeh, tudo bem? Gostei muito da sua resenha. Eu também adoro distopias, e desde a primeira vez que eu vi uma resenha desse livro, me deu vontade de comprar... mas vou esperar um pouco para pelo menos lançar o segundo.

    Gostei de como você começou a resenha, rs... eu também, quanto mais leio distopias, eu agradeço pelo mundo caótico que vivemos. O universo distópico na sua maioria das vezes é muito cruel e sempre a sociedade tem divisões absurdas.

    Adoro personagens secundários, acho que sempre tem participação importante na estória, e as vezes até gosto mais do que os protagonistas, mas ser bonzinho nesse universo nem sempre é bom. E nossa, nem me fale sobre se apegar por um personagem, tem algumas mortes de livros distópicos que eu ainda não me conformei.

    Enfim, gostei bastante da sua resenha, a Gaia parece uma garota bem determinada e com personalidade forte. Fiquei bastante interessada para saber sobre esse código. Concordo que essa capa é maravilhosa e deve ter tudo a ver com a história.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  12. OI Andressa, tudo bem?
    Estou aqui pensando: porque eles pegavam as crianças, porque os pais não podiam ficar com elas??? O que será que os pais dela fizeram para serem presos??? Isso não vale, sua resenha só me deixou super, mega curiosa!!!!!!! E como assim não posso me apegar aos personagens??? Ai meu Deus!!!!! Esse livro deve ser tensão pura!!!!!! Não conhecia, mas já coloquei na lista, adorei a resenha e o enredo.
    Beijinhos.
    Cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  13. Eu não acredito que você veio me apresentar uma nova distopia Dreeh!? Eu sou fascinada pelo gênero, mas não quero começar novas séries, já estou atolada com elas.
    Desanimei um pouco ao saber que a autora peca com excesso de informação desnecessária, não curto isso, fico sempre com a impressão que o autor estava querendo aumentar o número de páginas....e fazendo o leitor de bobo.
    Ah eu fiquei com tanta dó dos bebês, e claro, dos pais.

    Beijos.
    Leituras da Paty


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  14. Olá

    Fiquei curioso com o enredo da obra embora eu esteja dispensando qualquer distopia mais atual. Prefiro as mais antiguinhas. Só me decepcionei dando uma olhada nas novas (vide Jogos Vorazes e Divergente, embora eu goste de JV no cinema). Acho aspas bem melhores que travessões pra falar a verdade, eu escrevo minhas histórias desta maneira, aliás. Então isso não me incomodaria nenhum pouco. Anotei a dica!

    Abraço!
    www.umomt.com

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  15. Boa sinopse, linda capa, me ganhou com certeza, tenho q colocar na minha lista...Assim terei q sair do emprego pra continuar lendo tanto ahuahauha

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  16. Oi Andressa!!!
    Não conhecia o livro, mas achei muito muito muito interessante!
    Uma pena a trama ser um pouco repetitiva, isso acaba cansando né?! Mas quanto as aspas não vejo problema, tenho alguns livros que são assim e acabei me acostumando.
    Vou ver se consigo ler =)

    Beijokas
    Lara - Magia Literária
    http://www.magialiteraria.com/

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  17. Como eu amo distopias!!! Adoro como todas são meio parecidas e, ao mesmo tempo, super diferentes. O fato de a personagem ser impulsiva e teimosa, como você disse, é uma das coisas que sempre aparecem. Aliás, eu normalmente odeio a personagem principal. Sempre é durona e chata, só faz o que quer, muita vezes botando em perigo os planos dos outros, e custa demais a entender que certa pessoa gosta mesmo dela e que quer o seu bem (cof cof Peeta). Me interessei bastante pelo livro pela sua resenha, e o fato dos diálogos serem com aspas não me incomoda, em inglês é sempre assim e acho que já me acostumei hahaha. Ótimo texto! Beijos

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  18. Oi, Andressa
    Eu sou fã apaixonado e declarado de distopias. Cada uma nova distopia me surpreende de modo avassalador e eu já tinha lido uma resenha sobre o livro. Sobre o clima árido, a muralha e a personagem principal.
    Eu adorei sua resenha e concordo: é ótimo ver que vivemos com os problemas atuais e não como num problema de distopia! hahaha
    Adorei sua resenha e fiquei bem mais curioso para ler o livro :3

    Abraço
    Adriano
    GeraçãoLeitura.com || http://geracaoleiturapontocom.blogspot.com.br/

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  19. Queria muito saber porque as pessoas estão com essa mania de colocar aspas ao invés de travessões nas edições nacionais. Gente, por favor, né, o padrão no Brasil é travessão, seria tão legal se não tentassem forçar esse padrão norte-americano pra cima da gente... isso realmente me irrita MUITO. Isso, somado ao fato da autora ter se tornado às vezes repetitiva e monótona, me fez ficar com o pé atrás, apesar dos pontos positivos e de eu amar distopias. Já que o final é avassalador, de qualquer maneira, eu esperaria pelo menos sair o próximo volume por aqui pra ler, então tenho tempo para tomar uma decisão sobre a leitura.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  20. Olá Dreeh!
    Eu não sou muito de ler distopia. Já tinha visto esse livro em outro blog e até gostei do enredo da história, mas ainda não decidi se vou ler ou não o livro. Vou pensar mais um pouquinho.
    Adorei a sua resenha.
    Beijinhos!
    http://www.eraumavezolivro.blogspot.com.br/

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  21. Olá tudo bem ?
    Eu vi esse livro em algum canal literário e me interessei bastante, já tinha o visto muitas outras vezes e jurava que era um romance, me surpreendi muito quando soube que era uma distopia. Gostei muito da história e eu pretendo muito ler esse livro.
    Abraços, Carlos.

    http://blogchuvadeletras.blogspot.com.br/

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  22. Adoro uma distopia...
    eu não conhecia esta ainda!!
    mas já ta aqui anotadinha...rsrs

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  23. Essa capa ficou um luxo! Não costumo ler distopias, mas essa me intrigou bastante... E agr fiquei curiosa pra saber o porquê dos pais dela terem sido presos rs
    Vou correndo ir ler essa história! ;)
    Amei a resenha

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  24. Infelizmente não tenho muitos livros da Gutenberg, mas vou ficar de olho pra comprar esse. Mas acho que vou deixar meio de lado agora, por ser uma trilogia. Melhor esperar quando todos forem publicados

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  25. Distopias♥♥♥
    Adoro o gênero e por mais que eu não tenha gostado muito dessa capa, eu adorei a premissa, e sua resenha fez o livro parecer quase perfeito.

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