02 junho 2014

Resenha - Iluminadas, Lauren Beukes

Harper Curtis é um assassino que vem do passado. Kirby Mazrachi é a garota que estava destinada a não ter um futuro. Chicago, 1931. Harper Curtis, um andarilho violento, invade uma casa abandonada que esconde um segredo tão chocante quanto improvável: quem entra ali é transportado no tempo. Instigado por um comando que parece vir da própria casa, Harper persegue as “meninas iluminadas” – garotas cuidadosamente escolhidas em diferentes décadas – com o objetivo de matá-las. Voltando no tempo após cada assassinato, seus crimes são perfeitos e impossíveis de serem rastreados. Ou pelo menos é o que ele pensa. Chicago, 1992. Kirby Mazrachi viu sua vida ser destroçada após um ataque brutal que por pouco não a levou à morte. Incapaz de esquecer tal acontecimento, Kirby investe seus esforços em encontrar o homem que tentou assassiná-la. Seu único aliado é Dan, um ex-repórter policial que cobriu seu caso e agora aparentemente está apaixonado por ela. À medida que a investigação de Kirby avança, ela descobre outros casos semelhantes ao seu – e garotas que não tiveram a mesma sorte que ela – ligados por evidências que parece impossíveis. Mas, para alguém que deveria estar morto, impossível não significa que não tenha acontecido.

SÉRIE: Volume Único
AUTOR: Lauren Beukes
EDITORA: Intrínseca
EDIÇÃO: 2014
PÁGINAS: 320
CONCEITO: 3 estrelas
Livro cedido de parceria com a Editora Intrínseca
ADQUIRA: Compare e Compre
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Harper Curtis era um cara ferrado na vida, até ele pegar o paletó de tweed que tinha a chave para a sua nova vida, a chave que o levaria a Casa. Olhada de fora, ela parece uma casa a muito abandonada, com tábuas fechando suas portas e janelas. Harper ainda não sabe que a Casa esconde mistérios e mudará sua vida para sempre. Pesadas cortinas penduradas, uma lareira acessa, mobilha de décadas passadas e um cara morto com um pedaço de frango congelado na mão. Isso é oque ele encontra ao passar pela porta. No andar de cima, um quarto misterioso contem os itens que ele precisará para enfrentar suas futuras missões, o resto, vem da sua cabeça. A Casa o intui a fazer o que precisa ser feito e o levará ao tempo em que precisa estar. Seja apenas para conhecer suas iluminadas ou para o momento certo de mata-las.

Alguns homens preferem moças com cintura fina, ou ruivas, ou com nádegas volumosas onde se posa enfiar o dedo, mas ele sempre pegou o que conseguia, a maioria as vezes pagando por isso. A Casa exigia mais. Ela quer potencial, ela reivindica o fogo em seus olhos e o apaga. Harper sabe como fazer isso. Ele precisará de uma faca. Tão afiada quanto uma baioneta. (pág. 55)

Ele se torna um serial killer, que tem um ciclo a fechar. Ele normalmente conhece as meninas em sua infância; conversa com elas, as vezes, o suficiente para que elas se lembrem dele no momento certo ou também pode deixar um objeto para ser lembrado. Quando chega o momento certo, ele retorna para mata-las de forma cruel e fria, levando com ele algum objeto particular delas e deixando um objeto de outra vitima. Esses objetos viajam no tempo junto com ele, indo parar em épocas muito a frente ou muito antes de poderem ‘existir’. Isso sempre passou despercebido pela policia... Afinal de contas, quem ligaria assassinatos acontecidos em épocas totalmente diferentes?

Jisuk. Zora. Willy. Kirby. Margo. Julia. Catherine. Alice. Misha. Nomes estranhos de mulheres que ele não conhece. (...) Isso basta. É a concretização. Como uma porta se abrindo no interior. A febre aumenta e às vezes urra através dele, chea de desprezo, ira e fogo. E ele vê os rostos das garotas iluminadas e sabe como elas devem morrer. O grito dentro de sua cabeça: Mate-a. Acabe com ela. (pág. 34)

Ele só não contaria que Kirby sobreviveria e viraria o mundo de cabeça para baixo com o intuito de encontra-lo e faze-lo pagar pelas cicatrizes que deixou em seu corpo e sua vida. Após tentarem assassina-la brutalmente, Kirby passou muito tempo internada na UTI. Ninguém pensou que ela pudesse sobreviver após ter uma facada no pescoço e outra na barriga. Quatro anos e muitas cirurgias plásticas depois, ela se torna estagiária do Chicago Sun-Time para trabalhar com o ex-reporte policial Dan Velasquez. Ele cobriu o seu caso e ela tem esperança de que ele possa lhe ajudar na sua busca. Muito a contra gosto e às vezes até sem quere, ele acaba ajudando-a, mas algumas coisas são demais para ele. Ele que sabe o poder que toda a tristeza e desespero presentes por detrás dos assassinatos pode fazer com uma pessoa... Ele que teve a vida destruída por causa disso!

Ninguém acredita em Kirby, mas ela faz um ótimo trabalho. Algumas provas que estão na frente dela passam despercebidas, mas é tudo tão improvável e difícil de relacionar...

O livro é narrado em terceira pessoa e se intercala entre os personagens. Ele é contado através de passagens no tempo, cronológicas ou não. Em alguns momentos é primordial prestar atenção às datas para não se perder na história, em outros nem tanto. Podemos dizer que o presente começa em 1992 e vai até 1993. Esse é o nicho principal da história, onde Kirby aparece fazendo sua busca pelo seu quase assassino. A autora tem uma escrita envolvente e fluida. Ela descreveu cenas me deixam arrepiadas só de lembrar.

(...) Depois ele enfia a faca em seu abdômen, gira-a e a corta com a parte dentada, acompanhando a trajetória que fizera com a mão (pág. 134)

A história criada pela autora é fascinante, um mundo complexo, com personagens complexos e muito reais. Porém eu achei que faltaram explicações fundamentais. A única coisa que eu entendi com relação à Casa, é que se você tivesse a chave para entrar, você conseguiria viajar no tempo ao sair de lá. Mas e as garotas? Como elas são selecionadas, qual a lógica de escolhas... É tudo muito intuitivo. Harper está lá dentro e simplesmente sabe que é hora de matar e sabe quem matar, simples assim.

Eu fiquei presa ao livro até bem depois de sua metade. Era fascinante ir com Harper atrás de suas vitimas e observar suas reações, bem como suas mortes – eu não costumo ser mórbida assim gente, mas é um thriller realmente instigante. Da mesma forma que gostei de ver Kitby indo atrás das provas. Tive vontade de entrar no livro e ajudá-la a ver coisas que estavam bem diante de seus olhos, mas que ela parecia não querer ver. O indicio de envolvimento com Dan também me agradou, pois ele foi bem sutil, ocupando assim o seu lugar da trama. Infelizmente, conforme o fim foi se aproximando eu desanimei bastante.

É totalmente inadequado. Ele é um homem entediado, ela é jovem demais, ambos estão bem fodidos (pág. 195)

Percebi que a maioria das minhas perguntas não teriam respostas e fui ficando cada vez mais frustrada! Em certo momento da história eu pensei que ele falaria um pouco mais sobre o porquê da forma como ele mata – o que parecia ser algo importante -, mas ficou no ar, subentendido. Eu gostei bastante do desfecho da história: justo e plausível, mas o epilogo só serviu para me deixar mais confusa ainda sobre tudo que não foi explicado.

Os padrões existem porque procuramos encontra-los. Uma tentativa desesperada de ordem, pois não podemos encarar o terror de que tudo seja aleatório. (pág. 262)

Iluminadas é um thriller aterrorizante, que tinha de tudo para entrar para os favoritos, mas que infelizmente deixou a desejar. Todas as respostas que eu não obtive me deixaram frustrada e foram o motivo de apenas 3 estrelas. Se você não se incomodar com isso, com certeza terá uma ótima leitura!

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13 comentários

  1. Oi, Dreeh!
    Definitivamente esse não é o meu gênero favorito. Fui ficando agoniada ao ler a sua resenha...rs.

    Beijos,
    Nina & Suas Letras

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  2. Eu conheci esse livro através da editora, na turnê que ela fez aqui pelo Rio e fiquei bastante interessada e agoniada com a história. É um dos meus tipos de leitura preferidos e eu não vejo a hora de poder ler esse livro!

    Beijinhos!

    Bia, Blog Escrevendo Mundos

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  3. Adoro livros assim, gosto de sentir essa 'agonis', rs. Sua resenha ficou ótima e isso não é nenhuma novidade.

    Beijos.

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  4. Bom, eu gosto bastante de mistério e tals, na vdd estou escrevendo uma fanfic sobre, e tenho de medo de ocorrer exatamente isso, tipo eu deixar a desejar sabe...
    Tbm não gosto quando em um livro, minhas duvidas não são saciadas, infelizmente em alguns ocorre isso e as vzs é exatamente naquele que vc tanto gosta...
    Bom gostei da resenha, bjs bjs

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  5. Olá flor... Conforme eu iniciei a leitura dessa resenha fui me empolgando, porque gostei muito da capa, super linda, o título é bem instigante. Mas se o final não se tem muitas respostas deixa a gente realmente frustrada... estou em dúvida se quero ou não a leitura porque me interessei pelo o mistério e terror que ronda a histórias, mas não sou fã de livros que começam maravilhosos e nos deixam com perguntas sem respostas no final, mas mesmo assim eu vou arriscar, vou deixá-lo na minha lista quem sabe né... Xero!!!

    http://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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  6. Quero ler, adoro trilhers, mas se tiver muita coisa em aberto eu realmente passo com dor na alma. Não consigo me atrair por livros com possiveis finais em aberto não!!! E olhe que eu até dou chance, mas se algo que para mim for importante não seja explicado perde em muito no conceito!

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  7. puuuuuts que historia incrivel!! fiquei hiper ansiosa para ler, confesso q no primeiro paragrafo da resenha tava achando a historia boba... mas ai ja começa a falar q ele iria conhecer as meninas para mata-las :o poxa vida preciso ver... louca para saber como sera tudo entre ele e a kirby!!!

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  8. Um Amigo meu me indicou esse livro! Ele gostou tanto que saiu falando que todo mundo tinha que ler. rsrs
    Gostei bastante da premissa, as vezes lembra até aqueles típicos jogos de vídeo game. Fiquei curiosa sobre Kirby. Ainda não li, mas esta na minha meta de leitura desse ano!


    Beijos,
    Bell

    http://contosdoguerreiro.blogspot.com.br/

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  9. Adorei esse livro *--------*
    Pra ser sincera nem conhecia, mas é muito perfeito, ok, meio perturbador, mas ainda assim perfeito! !

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  10. Aiii não gostei não!
    Deu medo!
    Nãooo gosto de livros sobre serial killer e etc.
    Sou medrosa, daí qqr barulhinho aqui em casa(ainda mais que leio a noite), penso que tem alguém tentando me matar - isso quando é apenas a chuva caindo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    bjusss

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  11. A premissa é bem interessante, mas, se não é bem desenvolvido, não rola! A sua não é a primeira resenha que leio que diz que o livro podia ser bom, mas falha em algumas partes. Que pena! Como fico agoniada com falta de respostas, prefiro não ler.
    Beijinhos!
    Giulia - Prazer, me chamo Livro

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  12. Eu curto muito o gênero e logo que vi sobre este livro, fiquei desejando-o. SÉRIO.
    Tem tudo para ser um livro que vai me conquistar. Espero que eu não me decepcione, é claro.

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  13. Esse livro já esteve na minha lista há muito tempo atrás, cheguei a vê-lo em uma livraria física por dez reais e me senti muito tentada a comprar. Mas algo me disse pra esperar mais um pouquinho e que bom que o fiz, porque provavelmente também ficaria um pouco frustrada...

    ourbravenewblog.weebly.com

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