11 maio 2018

Resenha - O homem de giz, C.J. Tudor


Livro: O homem de giz
Autor(a): C.J. Tudor
Editora: Intrínseca
Páginas: 278
Adquira: Amazon
Livro cedido através da parceria com a editora
Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes. Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás. Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.




O ano é 1986. Um grupo de crianças na casa dos doze anos segue uma trilha de homens palitos desenhados com giz - que até então, era o código secreto que usavam para se comunicar - até um corpo esquartejado. Esse assassinato colocou a pequena cidade de Anderbury na rota de muitos curiosos, mas não foi a única coisa estranha que aconteceu naquele verão.

Eddie Munster diria que as coisas começaram a desandar no dia da feira, quando o acidente em um dos brinquedos o colocou cara a cara com o Sr. Halloran. O novo professor tinha chegado a pouco na cidade, e os forasteiros receberão olhares tortos na primeira oportunidade. Talvez, se alguém tivesse olhado mais de perto, poderia ter enxergado as variáveis que Eddie considerou trinta anos depois.

Talvez seja hora de dar um passeio na boa e velha estrada da memória. Só que não será um passeio por um caminho ensolarado de lembranças queridas. Essa rota específica é escura, um emaranhado de mentiras, segredos e buracos ocultos.

Em 2016, Eddie e sua gangue já não são tão próximos assim. Ele ainda encontra Hoppe e Gav Gordo para beberem alguma coisa, mas a maior parte do seu tempo é dedicado ao trabalho como professor. Como ele mora sozinho na grande e velha casa onde cresceu e todo dinheiro é bem vindo, ele abre um quarto para inquilinos. A pessoa da vez é Chloe, uma jovem descolada com aproximadamente metade da sua idade. É ela quem o surpreende no dia em que a fatídica carta com um homem de giz chega. A carta que o faz desenterrar aquele verão, lembrando-o de todas as perguntas que ficaram sem resposta.

A narrativa em primeira pessoa conta a história a partir de duas linhas do tempo distintas. Elas aparecem de forma intercalada pela maior parte do livro, até que todos os fatos conhecidos do passado são revelados e a história presente se encaminha para o desfecho. A C.J. Tudor utiliza vários recursos para manter a atenção do leitor: brinca com a nossa percepção de realidade, conta fatos de forma subentendida, cria várias tramas paralelas... Deu certo! Demorei alguns capítulos, mas quando engrenei não consegui me afastar do livro. Porém, sinto informar que o desenrolar dos fatos é muito mais instigante que o final em si. Finais em aberto nunca foram os meus preferidos.

Minha vida foi definida pelas coisas que não fiz, pelas coisas que não disse. Acho que o mesmo acontece com várias pessoas. Nem sempre o que nos molda são as nossas realizações, e sim as nossas omissões. Não necessariamente as mentiras, apenas as verdades que não dizemos.

O ponto alto do livro - além dessa edição maravilhoso - é a peculiaridade na personalidade do personagem. Marquei várias passagens que mostram o quanto ele é humano e instigante. Ele levanta questões que só um hipócrita diria que não são validas, como quando diz que os princípios são uma moeda sem valor na rotina do dia a dia, já que você os mantém até o momento em que é conveniente deixá-los de lado. Ou sobre o fato de que todo mundo, em algum momento da vida, faz algo que sabe ser errado. Todos temos segredos que gostaríamos que ninguém soubesse. Mas Eddie não é o único personagem interessante. O pouco que consegui vislumbrar de seus amigos, já me despertou a vontade de conhecer essa história por suas perspectivas.

Dizer que a editora caprichou na edição é um eufemismo. Um livro de capa dura, com a parte visível de suas páginas pintado de preto e trazendo a primeira página de cada capítulo também em preto. Há poucos modelos de capa pelo mundo e a nossa é um das mais bonitas, pois tudo parece ter sido escrito com giz. Não imagino o trabalho que tiveram para dar esse efeito, mas ficou perfeito!

Eu quero que todo mundo leia essa história e venha conversar comigo, porque tenho muitas perguntas para responder e nenhuma teoria em mente. Portanto, leiam!

[...] É um daqueles crimes que sempre provocam o interesse do público. Tem tudo, creio meu: o protagonista estranho, os desenhos de giz assustadores e o assassinato terrível.

2 comentários

  1. O trabalho que a Editora Intrínseca tem com seus livros é maravilhoso!!Dificilmente pegamos um livro com capa feia ou algo semelhante. Mas a deste livro é espetacular! Bem condizente com o conteúdo do livro, que aliás, preciso ler o quanto antes.
    Amo um bom enredo assim, cheio de mistérios, suspense, perguntas nunca respondidas e isso, do passado batendo à porta e trazendo consigo velhos fantasmas. Me recordei de um filme antigo que tem um cenário parecido(Conta Comigo) e traz essa forma lúdica em si.
    Vou ler com certeza.
    Beijo

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  2. Ótimo livro, devorei em 4 dias. E olha que sou daqueles que gosta de protelar na leitura pra que ela dure o máximo possível. Quando acabei de ler algumas coisas aparentemente ficaram sem resposta mas pensando um pouco melhor acho que consegui algumas. Mas uma questão ainda me intriga, até tenho uma teoria mas é simples demais e como nao devemos supor nada, n tenho certeza de algumas respostas que supus para essas dúvidas kk

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