28 dezembro 2016

Resenha - Apenas um garoto, Bill Konigsberg


Livro: Apenas um garoto
Autor(a): Bill Konigsberg
Editora: Arqueiro
Páginas: 256
Adquira: Saraiva | Submarino | Travessa | Americanas | Buscapé
Livro cedido através da parceria com a editora
Rafe saiu do armário aos 13 anos e nunca sofreu bullying. Mas está cansado de ser rotulado como o garoto gay, o porta-voz de uma causa. Por isso ele decide entrar numa escola só para meninos em outro estado e manter sua orientação sexual em segredo: não com o objetivo de voltar para o armário e sim para nascer de novo, como uma folha em branco. O plano funciona no início, e ele chega até a fazer parte do grupo dos atletas e do time de futebol. Mas as coisas se complicam quando ele percebe que está se apaixonando por um de seus novos amigos héteros.



Rafe é um menino de apenas 13 anos, gay e tem total apoio dos pais. Não sofre preconceito, seus amigos o aceitam... mesmo assim decide se mudar e não se assumir. Quando li a sinopse, torci para que tivesse lido errado. Deixe-me explicar: Num mundo onde gays não assumidos lutam dia e noite para não serem descobertos e vivem com a incerteza se sua família ainda o amará, caso descubram a verdade, esse livro soava como um enorme passo para trás.

Durante a leitura, a sinopse se confirmou. Entretanto, fui entendendo o ponto de vista de Rafe. Não que eu concordasse. Como dito, Rafe tem apenas 13 anos, sabe quem é, mas ainda precisava encontrar seu lugar no mundo. Sair das asas dos pais que, ao mesmo tempo o protegia e o privava de toda sua liberdade.

- Estou cansado de ser o garoto gay. Não quero mais isso para mim. Eu só quero ser, tipo, um garoto normal.

O livro reforça bastante o estigma do rótulo. O negro, o gordo, o careca, o nerd... O gay. Como se essas características se sobrepusessem a qualquer outra e você fosse definido a partir dela. É como se os rótulos nos segregassem, nos tornassem previsíveis.

E era dessa mudança que Rafe precisava. Recomeçar num lugar onde ninguém o conhecia. Onde ele não precisaria ser o Rafe gay ou hétero. Ele queria que as outras pessoas conhecessem o Rafe por completo. Ou apenas o Rafe.

- Por que preciso ser rotulado de um jeito ou de outro?

Essa nova jornada leva o menino a se deparar com uma situação que ele mesmo não havia pensado. Como você deseja ser conhecido por quem realmente é quando, ao fazer isso, esconde uma parte essencial de você? Se ao compartilhar sua vida, você altera a realidade das coisas? A cada “realidade alterada”, uma outra deveria ser inventada para sustentar a anterior.

Se tem algo de muito bom no livro são os personagens. Os amigos de Rafe na nova escola (Toby e Albie) são muito interessantes e rendem bons momentos no livro. Assim como seus pais e sua melhor amiga. Toda a relação de Rafe e Ben, construída aos poucos, nos faz questionar se essas descobertas tão boas já aconteceram conosco.

Mais do que tudo, o livro é sobre autoconhecimento. Que não importa sua cor, tipo físico, qual sexo te atrai... A sociedade vai insistir em nos classificar e caberá somente a nós lutar esta batalha todos os dias. Fugir de quem somos não irá nos salvar.

Por fim, a leitura foi leve e interessante e super indico o livro. Toda a ideia que tive anteriormente de “enorme passo para trás”, realmente ficou para trás.

2 comentários

  1. Oi Douglas, tudo bem? Ainda não sei dizer ao certo se quero ler esse livro. Por mais que tenha visto inúmeras pessoas falando muito bem da obra, eu ainda não me senti tocada por ela. Quem sabe isso um dia mude não é?
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  2. Já li algumas resenhas sobre este livro e ainda não sei o que pensar.
    Este lance do preconceito precisa ser quebrado, os rótulos deixados para trás. Ouvi uma vez de uma amiga que quando não estamos nos "padrões" impostos, perdemos nossa identidade, nossos nomes. A gorda, a preta, o gay. Não temos mais nomes, histórias, dores..somos rótulos.
    E este livro meio que traz isso.
    Se puder, lerei e tirarei minhas conclusões!
    Beijo

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