27 julho 2020

Resenha - As outras pessoas, C. J. Tudor


Livro: As outras pessoas
Autor(a): C.J. Tudor
Editora: Intrínseca
Páginas: 304
Adquira: Amazon
Livro cedido através da parceria com a editora

Uma menina pálida em um quarto branco. Mãe e filha em fuga, numa corrida desenfreada e sem destino. Uma garçonete de beira de estrada aprisionada na monotonia dos seus dias. E um pai que perde esposa e filha de maneira brutal e sem explicação. As histórias que se entrelaçam em "As outras pessoas" são peças de mais um quebra-cabeça sombrio e cheio de mistérios criado pela escritora C. J. Tudor. Gabe é o pai desesperado que, consumido por uma esperança doentia, conduz a trama do livro enquanto guia seu carro pelas estradas em busca da filha. Ela, assim como a mãe, foi dada como morta num crime não solucionado. Mas ele tem certeza de que não foi bem assim. Apesar de todas as provas que o contrariam, o homem que fez da angústia sua melhor amiga jura ter visto a filha viva em um carro desconhecido, parado à sua frente num engarrafamento logo antes de voltar para casa na noite em que perdeu sua família. Três anos depois, Gabe não tem rumo. Continua dirigindo obsessivamente pelas rodovias, tentando encontrar um caminho que o leve à solução do mistério. Mas é longe da estrada, nos cantos mais obscuros e doentios da internet, que ele acaba encontrando as pistas que tanto procura. Quem navega pela deep web sabe dos riscos, mas ele não se importa. Quem não tem nada na vida não tem nada a perder. Assim como uma encruzilhada depois da curva, as várias histórias dessa trama se sobrepõem quando menos se espera e de forma surpreendente. Porque mesmo uma garçonete desencantada e entediada pode guardar informações que ninguém imagina. As figuras mais isoladas e enigmáticas podem um dia se converter em grandes aliados. Os personagens à margem da sua vida podem ser mais relevantes do que parecem. E os limites que separam o bem e o mal podem ser apenas pontos de vista diferentes.


Nunca  é fácil perder alguém que se ama, mas o vazio deixado quando eles lhe são abruptamente arrancados, pode te levar a um caminho sem volta.

Gabe tem certeza do que viu! Em uma rodovia à quilômetros de casa, sua filha estava dentro de um carro estranho, tão viva que o reconheceu. ‘Papai’, ele pode ler em seus lábios, antes que o veículo desaparece naquele emaranhado de buzinas. Mas sua certeza não serve de nada quando todas as provas apontam o contrário. Seu sogro as reconheceu, filha e neta, mortas dentro de casa. O crime não solucionado contribuiu para que sua esperança permanecesse viva e, três anos depois, ele continua dirigindo por aquela rodovia tentando reencontrar sua filha.

Gabe não é o único nessa história a fazer da dor sua melhor amiga, mas é ele quem conduz o leitor por esse livro, que se tornou o meu favorito da autora. Se você quiser se surpreender tanto quanto eu, tente NÃO LER A SINOPSE. Ela pode te orientar no início do livro – eu li quase metade até começar a entender as ligações entre os personagens –, mas ela também acaba com aquele suspense gostoso que antecede cada descoberta.

Dessa vez eu não fui surpreendida pelo toque sobrenatural que C.J. Tudor tanto gosta! A autora também não usou desse recurso para solucionar pontos chaves da narrativa, o que me deixou muito feliz. Ela explora o que há de pior na natureza humana, me fazendo finalizar a leitura com um peso enorme no peito. Como nós conseguimos ser tão egoístas e extremos assim?!

Alguns elementos foram mais fáceis de conectar, outros foram uma surpresa absoluta. Mas para saber o que uma paciente em estado vegetativo, uma garota com fobia de espelhos e uma garçonete de loja de conveniência tem a ver, só lendo As outras Pessoas.


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