17 dezembro 2016

Resenha - O ano em que te conheci, Cecelia Ahern


Livro: O ano em que te conheci
Autor(a): Cecelia Ahern
Editora: Novo Conceito
Páginas: 336
Adquira: Saraiva | Submarino | Travessa | Americanas | Livraria Cultura
Livro cedido através da parceria com a editora
Bem-vindos ao mundo imperfeito de Jasmine e Matt. Vizinhos, eles não têm o menor interesse em tornarem-se amigos e nunca haviam se falado antes. Estavam sempre ocupados demais com suas carreiras para manter qualquer tipo de contato. Jasmine, mesmo sem nunca tê-lo encontrado, tem motivos para não suportar Matt. Ambos estão em uma licença forçada do trabalho e sofrendo com seus dramas familiares. Eles precisam de ajuda. Na véspera de Ano-Novo, os olhares de Jasmine e Matt se encontram de forma inusitada pela primeira vez. Eles têm muito tempo livre e precisam rever seus conceitos para poder seguir em frente. Conforme as estações do ano passam, uma amizade improvável lentamente começa a florescer. Uma história dramática, original e divertida como só Cecelia Ahern é capaz de escrever.


Jasmine descobriu aos cinco anos o quanto a vida é finita. A constatação de que um dia iria morrer, assim como o seu avô, lhe transformou em uma pessoa pessoa objetiva e determinada, mas alguns percalços da vida também foram fundamentais para que ela se tornasse quem é. Como o descaso do seu pai por ela e sua irmã mais velha, que é portadora de Sindrome de Down. Ela exige tanto de si mesma que mal tem tempo para respirar, mas, aos trinta anos, está feliz com tudo que conquistou.

Eu percebi que minha hora e a de outra pessoa não eram a mesma coisa. Não podemos passar essa hora da mesma maneira, nem podemos pensar sobre ela do mesmo jeito.  [...] Se quiser fazer alguma coisa, você tem de fazer isso agora. Se quiser dizer alguma coisa, então precisa dizer agora. E, principalmente, tem de fazer você mesmo. A vida é sua, é você quem vai morrer, é você quem vai perder.

Acontece que sua mania de controlar o mundo não da em nada, já que acabou sendo demitida da própria empresa e se vê obrigada a cumprir uma licença de um ano. No início ela aproveita para fazer tudo aquilo que não tinha tempo quando trabalhava, como visitar os amigos ou acompanhar o tratamento de sua irmã. Só que rapidamente essas férias sem fim se tornam enfadonha. Ela odeia ficar em casa, sem poder levar sua vida a diante e, com tanto tempo livre, começa a reparar em coisas que nunca tinha visto. Na sua casa impecável, na vizinhança dominada por jardins e até em si mesma.

É assim que ela descobre Matt, seu vizinho da frente. Ele é um radialista de gosto duvidoso, mas ela nem precisava conhecer seu programa para saber o quanto ele é babaca. Todas as noites ele chega em casa bêbado, gritando e batendo na porta como se não tivesse a própria chave de casa. Parece que seu casamento não vai bem, mas nada justifica a forma como trata sua esposa e filhos.

Você é tudo que eu não gosto nas pessoas. Seus pontos de vista, suas opiniões, suas discussões que não fazem nada para consertar o problema que você finge querer consertar e na verdade só provavam ataques raivosos e comportamentos de gente baixa. Você fornece um ponto de encontro para o ódio e o racismo ganhem voz, mas apresenta isso como liberdade de expressão. É por isso que não gosto de você; e, por razões pessoais, eu o abomino.

De forma inesperada, uma estranha amizade começa a surgir entre eles, que aos poucos percebem o quanto têm em comum. Ao longo de um ano inteiro o leitor acompanhará os rumos que a vida de ambos tomará e o quanto a primeira impressão nem sempre reflete a realidade.

Cecelia Ahern é aquela autora que você não precisa conhecer muito para se encantar. Um livro dela e você já se torna fã de carteirinha. Esse não é o primeiro que leio dela, mas todos que terminei me enchem de uma sensação que não sei descrever. Ela é cheia de frases impactantes e trechos que mexem com você. Algo que me tocou muito foi a analogia feita entre as mudanças que aconteceram na vida da protagonista e o florescimento do seu jardim.

Jasmine me conquistou no primeiro capítulo pela sua forma de se expressar. Me vi em muito de seus pensamentos, por mais que sejamos bem diferentes. Ela nem precisava justificar seus motivos para não gostar de Matt, apenas uma breve descrição de suas ações foram o suficiente para que eu o odiasse tanto quanto ela. Narrativas em primeira pessoa costumam ser tendenciosas, eu sei, mas eu gostei de ir mudando minha opinião sobre ele juntamente com Jasmine. Porém a personagem que mais me encantou foi a Heather. A história mostra muito o cotidiano de seus personagens, mas acompanhar a Heather foi emocionante, uma delicadeza ímpar da Ahern.

 Você escolhe aquilo que planta, mesmo na morte. E então eu comecei a plantar.

Mesmo estando envolvida com a história, demorei um pouco além do normal para concluí-la. A narrativa foi bem linear, então não é aquele livro que te faz virar a noite para saber o que vai acontecer no capitulo seguinte. O que não quer dizer que é ruim, eu gostei bastante, só não foi uma leitura tão fluida quanto pareceu nos primeiros capítulos.

A diagramação do livro é simples e os capítulos se subdividem nas quatro estações do ano. A fonte utilizada é diferente da tradicional,  mas achei confortável para ler. Apenas a fonte utilizada na primeira frase de cada capítulo é incomoda, mas como é só uma frase, não atrapalha a leitura. A capa é linda! Uma das mais bonitas da autora aqui no Brasil e combina muito com o enredo.

A maior parte das pessoas na vida não precisa fazer nada ativamente para nos transformar, ela só precisa ser.

Se você espera um romance, esse livro não é indicado para você. Ele vai explorar a amizade, o amor fraternal e o auto descobrimento. É lindo, você tem que dar uma chance!

2 comentários

  1. a mensagem é linda, mas por ser um livro da Cecelia eu esperava mais
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. A Novo Conceito aposta muito em livros assim, com histórias que envolvem, detalham a realidade e são essa pontinha de ensinamento e delicadeza.
    A capa é maravilhosa e o enredo parece ser tranquilo e calmo. Sem pretensão alta, apenas mantendo a serenidade.
    Lerei se possível!!
    Beijo

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