18 julho 2016

Resenha - A Rebelde do Deserto, Alwyn Hamilton


Livro: A Rebelde do Deserto (#1)
Autor(a): Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 288
Adquira: Saraiva | FNAC | Travessa | Livraria Cultura
Livro cedido através da parceria com a editora
O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher.  Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.  Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.


Num país onde as mulheres não tem voz, uma menina pobre e órfã tem poucas não tem opções na vida. Após a morte de seus pais, Amani Al’Hiza precisou se mudar para a casa de seus tios, onde seria apenas mais uma despesa. Ela trabalharia para eles em troca de abrigo e comida, até que conseguissem um casamento que fosse lucrativo para o tio, tão lucrativo quanto qualquer negocio em uma cidade paupérrima do deserto pudesse ser. A partir dai, ela seria problema do marido dela. Sim, um problema, já que as mulheres no deserto não serviam para nada além de capturar seres mitológicos, que a muito tempo tinham sumido da região.

O Último Condado dependia basicamente das minas de ferro e da fábrica de armas, por isso lá poderia faltar todo o tipo de suprimento, mas as armas eram algo corriqueiro. Com essa facilidade, ninguém reparava na garota que sumia pelo deserto para treinar sua pontaria. Amani se tornou uma exímio atiradora e é com essa segurança que ela se disfarça de homem e vai até a cidade vizinha para entrar numa competição de tiro. O prêmio seria o suficiente para por em pratica um antigo sonho de sua mãe: fugir de Vida da Poeira para a Izman, a capital, onde ela poderia ser quem quisesse. Onde nenhum homem teria direito sobre a sua vida.

A única coisa de que eu gostava na Vila da Poeira era o enorme espaço ao redor dela. Indo além das casas sem graça de madeira, dava para correr por horas, sem encontrar nada além de arbustos e areia. Agora eu me ressentia de como a cidade era longe de qualquer outra coisa.

É na competição que ela conhece Jin, um forasteiro quase tão bom de mira quanto ela. Amani não conhece nada sobre o rapaz e ainda assim o ajuda. Jin retribui o favor levando-a para longe do vilarejo, mas essa ajuda pode complicar demais a vida garota. Tudo porque a fuga deles foi um espetáculo, assistida de perto pelo pelos moradores e pelo exército que o seguia. Ele está sendo acusado de traição ao Sultão - que é o chefe da nação -, porém é muito mais complexo que isso.

O forasteiro por si só é um grande enigma, mas ele apresenta obstáculos muito maiores à protagonista. O deserto, que ela sempre achou que conhecia como a palma da mão, se mostra um verdadeiro desconhecido; os seres mitológicos sobre quem ela ouviu tantas histórias, ainda conseguem surpreendê-la... O caminho que a conduzirá a liberdade parece mais longo do que nunca.

E então veio aquele sorriso. Talvez eu tivesse olhos que me traíam, mas Jin com certeza tinha o tipo de sorriso capaz de converter impérios inteiros. O tipo de sorriso que me fazia sentir que o entendia direitinho, embora não soubesse nada sobre ele. O tipo de sorriso que me fazia sentir que éramos capazes de qualquer coisa juntos.

Quando um livro nos surpreende da vontade de abraçar, apertar e sair indicando para todo mundo. Eu ando em um momento que livros fantásticos não tem conquistado muito e não se engane, apesar de quase não ter citado a mitologia criada pela autora, ela se faz importante no livro. Acontece que ela consegue ser forte e suave ao mesmo tempo, e com certeza foi o que me conquistou (e vai conquistar você ai que não é muito fã de fantasia). Além disso, tem um romance fofíssimo para embalar a leitura.

A grande verdade é que Alwyn Hamilton pegou uma pitada de cada gênero e jogou no caldeirão do deserto. Não da para limitar essa história a uma única classificação. Tem os questionamentos do Young Adult, elementos fictícios da fantasia, a estrutura social de uma distopia e tudo misturado de uma forma homogênea, tanto que não faz diferença se você não curte um ou outro, A Rebelde do Deserto vai te conquistar. A mitologia, bem como a ambientação tem uma pegada árabe, que não estamos muito acostumados e talvez por isso eu tenha ficado meio confusa. Até separei os trechos do livro que explicavam certinho o que era as criaturas primordiais e os djinnis, mas não acho que valha a pena escrever um mega parágrafo sobre isso. A autora explica tudo que precisamos saber ao longo do livro, mas talvez um ou outro assunto seja melhor detalhado ao longo da série.

Para você que não é muito fã de séries eu tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que o desfecho é satisfatório e você não vai ficar enlouquecido esperando a continuação. A ruim é que mesmo são, você vai querer saber a continuação e ela não tem previsão. *todos choram*

- Você é uma ótima mentirosa. Para alguém que não mente.

A narrativa é eletrizante, com a ação marcando presença logo nas primeiras páginas e não te abandonando até o fim, sem enrolação ou pausas para respirar. Os personagens são cativantes, a Amani é tão determinada em ser mais do que esperam dela e o Jin é a incógnita mais charmosa que eu já conheci. Esse foi só o livro de estreia da autora, se ela mantiver o padrão essa série tem grandes chances de ganhar um lugar especial em muitas estantes.

Para combinar com a história, temos essa capa maravilhosa. Ela é uma adaptação da original, e não sei se alguém conseguiria fazer uma nova capa que fosse tão significativa. A imagem de fundo com o deserto representa muito bem a ambientação, e as noites em Miraji são muito perigosas, então esse céu estrelado trás um toque todo especial. Pode ser meio filosófico, mas essas ondulações me lembram o movimento das areias, a forma como o deserto se modifica constantemente e de forma tão delicada. Ah, todos os detalhes em dourado reluzem! Internamente ele é bem simples e confortável para leitura, com o início de cada capítulo decorado por ondulações.

A Rebelde do Deserto é aquele livro que todos precisam dar uma chance, porque a probabilidade de ser fisgado é bem alta.


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7 comentários

  1. Oi!
    Estou com uma grande expectativa para ler esse livro! A capa está linda e a premissa fantástica! Essa jogada da autora, de vários gêneros em um enredo, ficou muito bom e a leitura muito mais interessante. Adorei sua resenha, muito bem detalhada e clara. E com suas palavras, mais ansiosa fiquei para me envolver nessa leitura. Obrigada pela bela dica. Beijos.

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  2. Já havia visto a capa deste livro pelo mundo literário, mas nem havia parado para ler de fato.
    Agora estou aqui, babando pela resenha. É uma história completa pelo jeito. Com descobertas, aventura, romance e o fantástico.
    Quero muito,muito ler o livro e urgente!!!
    Beijos

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  3. Olá Dreeh
    Estou doida por esse livro desde quando vi o lançamento e a cada resenha que leio o sentimento de que preciso (desespero!) dele na minha estante aumenta. Que livro mais incrível e completo! Adoro quando são abordados temas que remetem a uma crítica social, e posso garantir que A Rebelde do Deserto será uma leitura muito prazerosa por fazer vários questionamentos sobre o valor da mulher, amo isso! Já me envolvi com a Amani, que personagem mais bem construída. Uma leitura maravilhosa, preciso dar um jeito e comprar esse livro pra ontem!
    Beijos

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  4. Primeiro ponto: que capa linda. Como não querer ler.
    Segundo: quem gosta de fantasia vai adorar
    terceiro: adoro protagonistas mulheres.
    resumo: como não ler ? Ja ta na minha lista de desejos

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  5. Estou doida pra ler esse livro, curto muito fantasia, mitologia, parece uma história super eletrizante e envolvente, essa resenha me deixou ainda mais curiosa.

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  6. Gosto de história com mulheres fortes e ousadas e a história desse livro é bem legal com toda coragem da protagonista me faz querer ler mais.

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  7. Interessante, gosto de livros que se passam em uma cultura ou mitologia, o último que li desse modelo foi Maldição do Tigre porém a narrativa para mim foi um pouco decepcionante.. Enfim, quero ler esse, a capa é muito atrativa e sua descrição da personagem só instigou mais o desejo de ler esse livro.

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