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06 abril 2015

Entrevista - Leia Sales, autora de A Playlist da Minha Vida

Este mês o #ClubeDaLiga fez sua segunda leitura - confiram a resenha - e, com a ajuda da Globo Livro, conseguimos uma entrevista exclusiva com a autora. Já estou me acostumando com essa vida hein hahah. Brincadeira. Esperamos despertar em vocês um pouquinho de curiosidade em relação a essa história.



Leila Sales

A autora cresceu nos arredores de Boston, Massachusetts. Ela se formou na Universidade de Chicago em 2006. Agora ela vive em Brooklyn, Nova York, e trabalha no mundo dos livros infantis. Leila passa a maior parte do seu tempo pensando em dormir, gatinhos, bailes e histórias que ela quer escrever.


É importante avisar a vocês que algumas perguntas falam sobre o enredo e trazem spoilers. Porém elas estão sinalizadas.

06 março 2015

Entrevista - Josh Malerman, autor de Caixa de Pássaros

Vocês estão lembrados da resenha coletiva do #ClubeDaLiga? Então, depois de uma leitura incrível, todos ficamos cheios de dúvidas e muito curiosos para saber mais sobre o mundo em que Malorie vive e também sobre as inspirações do autor. Quando o livro é bom ele faz isso com a gente, não é verdade? Eis que o Clube conseguiu uma entrevista exclusiva com o autor! Ele é muito simpático e o resultado da entrevista não poderia ter sido mais satisfatório. Vamos lá?



Josh Malerman

Josh Malerman é cantor e compositor da banda de rock High Strung. Filho do meio, Malerman gosta de escrever ao som de trilhas sonoras de filmes de terror, como Grito de horror e Creepshow - Arrepio do medo. Ele mora em Ferndale, Michigan, com a noiva. Caixa de pássaros é seu romance de estreia.


É importante avisar a vocês que algumas perguntas falam sobre o enredo e trazem spoilers. Porém elas estão sinalizadas.

11 fevereiro 2015

#SemanaDestruaMe - Entrevista com JL Mac








   Sobre a autora:
JL Mac, autora bestseller do USA Today, tem vinte e poucos anos e mora em el Paso, no Texas, com seu marido e filhos. Ela é uma texana nascida e criada em Galveston, que possui um longo caso de amor com a escrita. Bebendo muitas taças de vinho, de vez em quando, e falando muito palavrões para ser considerada uma "mocinha", JL gasta seu tempo livre lendo, escrevendo, brincando com seus filhos e vivendo seu próprio felizes para sempre com seu príncipe encantado. 




Entrevista com JL Mac

Em que você se inspirou para escrever Destrua-me?
Eu estava no trânsito, saindo do shopping, quando um outro motorista provocou um acidente bem à minha frente. Isso me fez pensar nos personagens e na história de Destrua-me.

Josephine é uma personagem muito inspiradora. Apesar de tudo o que aconteceu em sua vida, ela não desistiu. De onde vem essa força de Jo? E o que você mais gosta nesta personagem?
Acho que muitos dos pontos positivos da Jo são baseados em como as mulheres, em geral, gostariam de ser vistas. Eu queria que ela fosse retratada da forma que todas as mulheres gostariam de ser retratadas. Queremos ser fortes, destemidas e dispostas a fazer o que precisamos, mas ao mesmo tempo queremos ser amadas, desejadas e ser necessária à alguém tanto quanto queremos que o outro necessite de nós.

E Damon? Ele é uma contradição. Dominante e tão frágil ao mesmo tempo... É impossível não se apaixonar. Como foi criar um personagem com características tão extremas?
Na verdade, foi muito fácil escrever Damon. De um modo geral, acho que os homens são fortes, mas ao mesmo tempo bastante frágeis, o que os torna muito mais cativantes. Damon esconde seu lado frágil, mas uma vez que o leitor tem a oportunidade de enxergar o que está debaixo de suas camadas, é impossível não amá-lo. Eu adorei contar a sua história.

O que os leitores podem esperar em Destrua-me?
Os leitores podem esperar sentirem muitas emoções ao ler Destrua-me. Eu, realmente, me emocionei muito ao escrevê-lo.

Vamos falar um pouco sobre você? Conte-nos um pouquinho a respeito de você e seu processo de escrita.
Eu não tenho muito a contar. Sou uma dona de casa de 28 anos anos, tenho uma vida comum, com três lindos filhos e um marido incrível, o que faz com que escrever romances seja algo muito fácil para mim. Gosto de ler, cozinhar e passar tempo com a minha família. Como eu trabalho em casa, o meu processo de escrita, muitas vezes, é um pouco disperso, já que escrevo quando posso. Às vezes, eu uso meu celular para anotar algumas coisas para não esquecer. Ouço músicas para me inspirar. Assim que uma ideia para um livro surge na minha cabeça, eu rapidamente escrevo um breve resumo, para que possa construir a história a partir daí. E eu começo a escrever todos os meus livros num caderno. É bem divertido reler minhas anotações originais de cada história, além de ver nomes, locais e outros detalhes alterados antes da publicação.

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02 novembro 2014

Entrevista com Catherine McKenzie

Em setembro eu tive o prazer de ler Desaparecida - confiram a resenha aqui -, um livro mega fofo e que eu recomendo a todos que curtem chick-lit e protagonistas sem mimimi. Na ocasião, a nossa parceira, Editora LeYa, propôs a nós que enviássemos perguntas para que fosse feita uma entrevista com a autora. Como tinha algumas curiosidades acerca da história eu não perdi tempo e enviei várias perguntas. Antes de tudo, apresento a vocês..



Catherine McKenzie

Catherine McKenzie nasceu e foi criada em Montreal, Canada. Entre as coisas que gosta de fazer, se destacam  correr e esquiar. Graduada em História e Direito pela Universidade McGill, ela trabalha como advogada em sua cidade. Ela possui cinco romances publicados e entre eles, o único que não foi um bestsellers internacional é Spun. Euas obras já foram traduzidas para o francês, o alemão, o checo, o eslovaco, o polonês e agora para o português. Seu romance mais recente foi Hidden, lançado em junho de 2013 no Canadá e na Primavera de 2014 nos EUA.  Atualmente Catherine está trabalhando em seu próximo romance intitulado one-word ,que deve ser publicado em 2015..


clique nas capas para ser direcionado ao goodreads


11 setembro 2014

#SemanaComplicadaDemais - Entrevista com a S. C. Stephens


S. C. Stephens é uma autora best-seller que gosta de passar cada momento livre criando histórias que são embaladas com emoção e com bastante romance.

Seu romance de estreia, Thoughtless (lançado aqui no Brasil com o título de Intenso Demais), um impensado triângulo amoroso, cheio de angústia, paixões intensas e o inesquecível Kellan Kyle, transformou o mundo literário em uma tempestade. Maravilhada e surpresa pela resposta vinda do lançamento de Thoughtless em 2009, mais histórias vieram rapidamente. Stephens não parou de escrever desde então.


Além de escrever, Stephens gosta de passar tardes ao sol lendo romances fabulosos, carregar seu iPod com músicas, ir ao cinema e passar um tempo de qualidade com seus amigos e família. Ela mora atualmente no fantástico Noroeste do Pacífico com seus dois filhos igualmente lindos.


POR TRÁS DOS LIVROS: A AUTORA CONTA SOBRE A SUA VIDA

Você sempre quis ser uma escritora ou isto representou uma súbita mudança de direção na sua vida?
SCS: Eu sempre tive o desejo de escrever, mas sem nenhuma verdadeira história para contar. Escrevi cenas aqui e ali, apenas para odiá-las depois e jogá-las fora. Eu quase joguei Intenso Demais fora um monte de vezes, mas eu gostava tanto que não podia simplesmente jogá-lo. Alguma coisa ficava me impulsionando a continuar, a finalizar. Além de completar a história, a grande mudança para mim foi falar sobre isso. Eu sou uma pessoa muito privada, e decidir contar às pessoas que eu escrevi uma história, e um romance como este, foi difícil para mim. Têm sido um processo gradual que só agora eu estou começando a ficar confortável. Algo assim.

O que iniciou o seu interesse na escrita?
SCS: Como disse anteriormente, eu sempre tive o desejo de escrever. Eu me interessei por diferentes gêneros, mas aquele que eu sempre retornava quanto tentava escrever alguma coisa era o romance. É a minha parte favorita em um livro, esteja eu lendo-o ou escrevendo-o – o primeiro olhar, a atração inegável, a saudade, o desejo, a exploração eventual. Eu sou louca por histórias de amor. Escrevi pedaços de pequenas cenas aqui e ali, mas não avancei mais do que algumas páginas até que comecei Intenso Demais. Depois que comecei esta história, não consegui parar.

Como você escreve?
SCS: Eu sou do tipo de garota que escreve seguindo o instinto. Normalmente tenho uma ideia de onde quero que a história vá, ou certos pontos que quero alcançar ao longo do caminho, mas este é um processo muito orgânico. Geralmente eu tenho um final em mente quando começo uma história, mas nem sempre. Às vezes tenho dois ou três, e não saberei exatamente como vai terminar até chegar lá. É como ver um filme se desdobrar em minha mente, e às vezes as coisas que acontecem me chocam completamente!
Tiveram algumas partes em Intenso Demais onde algumas pequenas coisas que aconteceram mais cedo na história se tornaram críticas mais tarde. O fato de a Kiera não gostar de falar com Griffin, por exemplo. Eu não tinha ideia do quão importante este detalhe se tornaria no enredo. Ou a visita da Anna. Quando a Kiera falou pela primeira vez com a Anna, eu não tinha ideia de como seria essa visita, de mal a pior. Nada disso foi planejado, e acabou que algumas delas tornaram-se as partes favoritas dos fãs.
Algumas coisas que eu tenho certeza que acontecerão na história simplesmente não funcionam quando eu chego lá. Eu tenho dúzias de notas no meu quarto, com vários tipos de ideias, algumas delas escritas em coisas realmente engraçadas, como sacos descartáveis, toalhas de papel, post-its, envelopes, cartões profissionais – qualquer coisa que esteja perto quando a ideia surge na minha cabeça!
Possivelmente a coisa mais difícil sobre Intenso Demais foi a maneira como o escrevi. Eu escrevi todas as cenas mais importantes primeiro e depois voltei para conectá-las. Porém, quando os personagens começaram a evoluir e crescer, eu comecei a inserir cenas, embaralhando algumas coisas, mudando quando e onde outras cenas aconteciam, e removendo aquelas que não funcionavam mais. Por exemplo, o tapa ouvido por todo o bar originalmente acontecia na casa deles... bem na frente de Denny, e as cenas das confissões aconteciam mais tarde, na garagem, e não incluía muito da história do Kellan... porque eu não tinha escrito a cena que inspirou sua trágica infância neste ponto. Foi uma boa experiência de aprendizado entretanto, e cada história que eu escrevi depois de Intenso Demais foram mais lineares – capítulo um até o final. Tive muito menos partes reescritas desta forma.
Eu tento escrever todos os dias, preferivelmente de manhã bem cedo, antes dos meus filhos acordarem. Quando eu comecei pela primeira vez, demorei entre 3 e 4 meses para finalizar uma história. Eu tenho estado muito mais ocupada agora, então levo um pouco mais de tempo. Eu também tenho escrito sequências ultimamente, o que leva mais tempo do que uma história nova, desde que há vários aspectos dos romances anteriores que eu tenho que lembrar. De várias maneiras, novas histórias são muito mais fáceis.  

Quais cenas você mais gosta de escrever?
SCS: Eu amo escrever as partes pesadas. Quanto mais emocional uma cena é, mais fácil é para mim escrevê-la – a cena de chuva em Intenso Demais, a luta na sala de trás, Lucas e Sawyer na rua, em Collision Course, A luta de Teren por sua família na série Conversion – este tipo de coisa flui melhor para mim. Eu normalmente não tenho nem que pensar a respeito... Apenas sento, assisto tudo acontecer em minha mente, e digito o mais rápido que posso. É muito diferente escrever uma cena pesada do que lê-la. Eu fico completamente envolvida e inserida na história quando eu as leio, mas não é o mesmo efeito de quando eu as escrevo. Principalmente porque eu sei o que todos estão sentindo e pensando, e como as coisas eventualmente vão terminar.
As cenas de sexo são as minhas próximas favoritas de escrever. Até mesmo as cenas de flertes são divertidas. Eu amo escrever momentos sensuais, quando os personagens estão levando um ao outro à loucura, em um bom sentido. É ainda mais divertido quando eles não deveriam estar atraídos um pelo outro, como em Intenso Demais e isso é tudo relativo. Eu amo a angústia.

Como você escolhe os nomes de seus personagens?
SCS: Na maioria das vezes eles vêm à mim enquanto estou escrevendo. Às vezes o nome virá a mim quando outro personagem o fala. Lucas, por exemplo. Sua mãe não parava de chama-lo de Luc, então este virou seu nome. Sawyer era uma garota única, então eu amo que ela tenha um nome literário único, e este foi o primeiro que surgiu em minha mente. Alguns nomes eu pesquisei para que combinasse com a nacionalidade de outros. Halina, por exemplo. Os nomes das garotas líderes são geralmente os que eu mais gosto. Foi muito legal poder usá-los em algum lugar!
Alguns nomes eu pensei a respeito por algum tempo... Nika e Julian ficaram sem nome por muito tempo. Alguns foram bastante deliberados. Hunter. Chance. Jessie, porque era o diminutivo de Jéssica. Kai foi um nome que eu ouvi num programa de TV há muito tempo atrás, e eu sempre amei. Teren era o nome do último cliente com quem eu trabalhei. Eu amo como primeiro nome, e incorporei na história como um último nome que foi dado a ele para honrar a sua família. Denny e Kellan eram favoritos para mim desde o início, embora eles tenham sido trocados – Kellan era o Denny e Denny era o Kellan. Denny soa mais australiano para mim porém (graças ao filme Fúria Indomável), então eu troquei. E, vamos encarar isso: Kellan é um nome sexy.

Você pode compartilhar conosco como você obteve o feedback on line enquanto escrevia Intenso Demais? E o impacto que este feedback teve no livro?
SCS: Eu não ia realmente compartilhar Intenso Demais, mas pura curiosidade me impulsionou a postá-lo. Eu queria saber se era bom, se eu tinha algum talento em contar uma história. Decidi postá-la no ficitionpress.com principalmente porque eu poderia fazê-lo anonimamente através de um pseudônimo. Postei um capítulo de cada vez e imediatamente me apaixonei pelo feedback instantâneo. E, muito para a minha surpresa, a maioria dos feedbacks eram muito, muito positivos! Até o final, eles eram.

Inicialmente você liberava os seus livros completamente de graça. Quando isto mudou e o que a fez começar a vendê-los?
SCS: Eu tive muitos pedidos de fãs por uma versão escrita dos meus livros para tê-los em suas estantes. Eu os queria na minha estante também, então eu comecei a pesquisar sobre autopublicação. Havia diferentes sites disponíveis, mas eu decidi usar o createspace.com, desde que eles eram vinculados com a Amazon.com. Uma vez que a versão escrita de Intenso Demais estava pronta, as pessoas começaram a me perguntar se poderiam comprar o ebook. Foi uma decisão difícil para mim, mas depois de uma grande quantidade de coragem, eu decidi tratar a escrita mais como uma carreira e menos como um hobby, e comecei a cobrar pelo meu material.

Conte-nos sobre os vários canais de distribuição que você usou e como eles ajudaram-na a alcançar diferentes públicos.
SCS: Nicky Charles têm sido minha mentora de autopublicação desde o início. Ela me seguiu para o fictionpress.com e me encorajou a utilizar o feedbooks.com, que converte histórias em ebooks gratuitos. Eu amava a maneira que eles viam os romances profissionais, e então eu converti cada uma das minhas histórias. Os ebooks se espalharam como fogo através da internet assim que eles foram convertidos em ebooks, a minha base de fãs cresceu aos trancos e barrancos. Quando eu decidi cobrar por eles, Nicky sugeriu o smashwords.com. Eu amava o fato de que o Smashwords era vinculado com a Barnes & Noble, Sony, e Apple, então este era lugar perfeito para começar a vender os meus livros. Depois do Smashwords, eu decidi publicar na Amazon’s Kindle Direct Publishing, e então os usuários do kindle poderiam obter uma cópia também. A popularidade de Intenso Demais e suas sequências têm sido muito maiores do que eu jamais imaginei que seriam.

Como você mantém contato com seus numerosos fãs e seguidores?
SCS: Atualmente, meu principal meio de manter contato é pela minha página do facebook. Eu posto músicas e imagens que me inspiraram, assim como atualizações e coisas que eu esteja trabalhando no momento, além de teasers de romances que estão vindo. Eu também tenho um email, que está escrito nos meus livros, e eu recebo muitos comentários maravilhosos e perguntas. E também através do meu site.

Você trabalha com um editor? Se sim, como você o encontrou?
SCS: Eu trabalho. Mando todos os meus manuscritos para uma mulher chamada Debra Stang. Ela faz um excelente trabalho por um preço razoável. Eu a encontrei na verdade nas páginas amarelas on line, e entrei em contato através de seu site. Uma amiga minha também me ajudou com Complicado Demais e Collision Course.

Você gosta de reler seus livros, ou cenas particulares deles, depois que foram publicados? Se sim, você acha que eles te afetam de maneira diferente com o passar do tempo?
SCS: Durante o processo de edição eu leio a história tantas vezes que chego ao ponto de nunca mais querer lê-los! Mas quando este sentimento passa, e eu pego o livro novamente, eu aprecio as cenas tanto quanto a primeira vez. Eu ainda rio, ainda choro e ainda me apaixono.

Romance contemporâneo é um gênero literário vasto e popular. Quais você acha que são as chaves para conectar-se com o público deste tipo de história?
SCS: Pelo feedback que eu recebi dos fãs, é com a emoção que eles se conectam. Eles são puxados para dentro da história e têm sentimentos pelos personagens, às vezes positivos, às vezes negativos. O realismo da história também toca as pessoas. Eu tive muitos fãs que diziam que ler Intenso Demais era como ler uma história sobre suas vidas. Tive outros que me diziam que ler o livro os faziam reavaliar seus relacionamentos. É muito surreal para mim que algo que escrevi pode ter tal efeito em alguém.

Qual a sua parte favorita em ser um autor independente?
SCS: Eu tenho sido somente um autor independente, então eu não sei como comparar com um autor publicando tradicionalmente. Eu amo ter um completo controle sobre o que eu escrevo. Eu amo poder compartilhar todas as minhas histórias com os meus fãs, e não apenas aquelas que uma terceira pessoa considera digna de serem publicadas. Nem todos os livros que eu escrevi são famosos, mas cada um deles recebeu um feedback positivo de alguém. Se eles ficassem no meu computador para sempre, e ninguém fosse capaz de lê-los, não seria tão divertido para mim.


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16 dezembro 2013

Entrevista - Khaled Hosseini

Khaled Hosseini, sem sombra de duvidas, foi um dos autores - se não o autor - que mais me despertou sentimentos: emoção, revolta, medo, gratidão, tristeza... Eu nunca agradeci tanto por ser brasileira como quando eu terminei de ler A cidade do sol. Recentemente minha mãe ganhou seu ultimo lançamento, e eu não vejo a hora de iniciar a leitura! Mas agora não é o momento, pois já prevejo uma leitura triste e não seria adequado nessa época do ano tão feliz e que eu gosto tanto.
Enfim, mes passado fiquei sabendo de uma entrevista dele atraves do blog Universo dos Leitores. Foi uma entrevista concedida a Revista Época, e como eu nunca havia visto uma entrevista dele achei bacana trazer para vocês!



ÉPOCA – Para muitos leitores, O caçador de pipas foi a primeira referência ao Afeganistão fora do noticiário sobre o terrorismo. Quanto ele mudou a imagem do país?
Khaled Hosseini –
Existe uma diferença entre o que o autor espera e a vida que o livro acaba tendo. Minha ideia era escrever uma história leve. Estava interessado na vida dos dois protagonistas. Em particular Amir, o personagem principal. Não tinha a intenção de educar o público, até porque não imaginei que o livro seria publicado. Mas era impossível contar a história dos personagens sem explicar o que aconteceu no Afeganistão. A vida dos personagens foi impactada pelo Taleban, como a de outros habitantes do país. Qualquer história ambientada no Afeganistão teria como pano de fundo a guerra, a política e a perda. A situação do país era dramática. Quando meus editores leram o livro, perceberam que havia mais que uma história de dois garotos. Era uma janela para a vida no país. Não sentei para escrever com essa intenção, mas o livro cumpriu essa missão mesmo assim. O lado humano do Afeganistão não aparece no noticiário, só há guerra e violência.

ÉPOCA – Como avalia o livro dez anos depois do lançamento?
Hosseini –
Como afegão, vejo o livro como uma janela para a sociedade do país. Algo que não existia antes. O livro serviu como ponte entre os leitores ocidentais e a vida no Afeganistão. O país se tornou mais real para os leitores. Como escritor, tenho uma relação complicada com o livro. Mudei desde que o escrevi. Estou mais velho, vejo a escrita com outra sensibilidade. Acho difícil ler O caçador de pipas, porque fico tentado a pegar uma caneta vermelha e editar todo o texto. Sou muito crítico. Passaria a leitura inteira pensando em tudo o que poderia ser diferente. Por que fiz isso? Por que fiz aquilo? Melhor deixar o livro em paz.

ÉPOCA – Assim como o protagonista de O caçador de pipas, o senhor nasceu no Afeganistão e se mudou ainda jovem para os Estados Unidos. A adaptação foi difícil?
Hosseini –
Cheguei aos Estados Unidos sem dinheiro. Minha família teve de começar a vida do zero. A experiência de ser exilado, de ser um imigrante, de ser desalojado e de perder as raízes é algo que revisito sempre em meus livros. Existe uma tensão permanente entre o exilado e sua terra natal. Por muito tempo, minha família e eu sentíamos que não pertencíamos a lugar algum. Não sinto mais isso. Muitos anos se passaram. Trinta e três anos. Tenho uma casa nos Estados Unidos agora e me sinto confortável lá. E me sinto como um americano quando estou no Afeganistão. Embora tenha nascido lá, saiba ler e escrever no idioma e falar com todos, a realidade de minha vida é muito diferente. Dizer que sou um deles seria ingênuo.

ÉPOCA – Os afegãos o veem como um americano?
Hosseini –
Nunca serei visto por eles como igual. Sempre que visito o país, reconheço isso e me comporto de acordo com essa percepção. Vivo nos Estados Unidos. Não enfrentei o que outros afegãos enfrentaram. Não posso fingir que isso não importa. É parecido com o que eu sentia quando era criança. Havia uma questão de classe. Eu era filho de diplomatas e tinha consciência de que vivíamos uma vida confortável, mas havia pessoas miseráveis nas redondezas. Eu escrevia sobre isso desde a infância.

ÉPOCA – Qual foi sua sensação ao retornar ao Afeganistão depois de escrever o livro?
Hosseini –
O país mudou muito, e mudou de maneiras boas e ruins. As pessoas parecem ser mais realistas em relação ao futuro. As expectativas estão mais baixas. Elas estão desapontadas com o governo, com a velocidade da reconstrução do país, com a pobreza e o desemprego. Estão preo­cupadas com o tráfico de drogas e a corrupção. Mas algumas coisas melhoraram. Em 2001, havia só 1 milhão de crianças na escola. Quase todos eram meninos e recebiam educação religiosa. Agora, temos mais de 7 milhões de crianças na escola, e 35% delas são meninas. A mortalidade infantil diminuiu, e a expectativa de vida cresceu. Escolas e ruas foram reconstruídas. Não é o suficiente para mudar profundamente o país, mas é significativo.

ÉPOCA – Muitos autores escrevem sobre regiões de conflito, mas não se envolvem com o assunto na vida real. O senhor poderia escrever sobre o Afeganistão e viver tranquilamente nos Estados Unidos. Por que decidiu agir de outra maneira?
Hosseini –
Eu dirigia em Cabul, em 2007, e vi comunidades em que as pessoas viviam nas ruas. A situação dos refugiados era desesperadora, e fiquei comovido. Quando entrei no avião para voltar aos Estados Unidos, percebi que me esqueceria logo daquilo. Em poucos dias, aquela memória não seria mais tão chocante. Conversei sobre isso com minha mulher quando cheguei em casa, e surgiu a ideia de fazer algo por essas pessoas, muito parecidas com os personagens de meus livros. Tive muita sorte em minha vida. Quero compartilhar essa sorte com outros afegãos. São algumas das pessoas marginalizadas do mundo. Nosso principal projeto é construir abrigos para refugiados. Também temos programas para ajudar crianças e mulheres, ainda mais marginalizadas. Fazer algo por elas é uma obrigação humana.

ÉPOCA – O senhor sente culpa por ter uma vida tão diferente dos outros afegãos de sua geração?
Hosseini –
Sim, claro. É uma emoção incômoda e inútil, mas pode ter algum efeito positivo. Ela me incentiva a fazer algo.

ÉPOCA – O senhor já escreveu que os afegãos são otimistas. É um traço irreversível da personalidade afegã ou isso pode mudar?
Hosseini –
É por isso que não gosto de ler O caçador de pipas. (Risos.) Discordo dessa frase! O oposto é verdade. Não que os americanos sejam pessimistas, mas os afegãos são extraordinariamente otimistas. Essa frase foi um erro. E isso foi provado em pesquisas. Perguntaram a pessoas de 30 províncias do Afeganistão o que esperavam para o futuro do país. Elas não são ingênuas. Entendem muito bem o tamanho dos problemas que o Afeganistão enfrenta. Mas acreditam que o país está indo na direção certa e que amanhã será melhor que hoje.

ÉPOCA – Hoje a Síria aparece no noticiário com a mesma frequência que o Afeganistão há dez anos. Aprendemos a enxergar melhor o Oriente ou cometemos os mesmos erros?
Hosseini –
O Ocidente continua noticiando as bombas e os protestos. Seria importante olhar também para o custo humano da guerra. O número de refugiados dobrou desde março. São 2 milhões. Eles vivem em países que têm seus próprios problemas. Há 250 mil morando no Líbano. O país não consegue receber essa quantidade de pessoas. O Ocidente tem visto isso como um problema de países vizinhos, mas é um problema internacional. Não vivemos mais num mundo em que o que acontece na Síria não nos diz respeito. É um dos legados do 11 de setembro.

ÉPOCA – Muitos ocidentais ainda acreditam que a democracia é incompatível com o islã...
Hosseini –
Os países do Oriente Médio têm instituições frágeis e muito jovens. São sistemas políticos falhos. Dizer que o povo muçulmano não pode viver numa democracia é uma atitude colonialista e condescendente. As pessoas querem ser ouvidas.

ÉPOCA – A história de Malala, a garota baleada pelo Taleban por tentar ir à escola, não é um exemplo de choque entre islã e democracia?
Hosseini –
Não diria que o Taleban é um representante do islã. Milhões de muçulmanos discordam disso. O Taleban é uma entidade cultural, movido primariamente por motivações étnicas. São religiosos, mas, em sua raiz, o movimento é étnico. Nada no islã diz que as mulheres não podem ser educadas. Nenhum muçulmano informado e digno de respeito acredita nisso. Dito isso, a história de Malala é um símbolo poderoso para quem acredita na democracia. É uma voz para jovens mulheres que querem ter um papel ativo, aprender e contribuir para a sociedade. Certamente, incentivará outras garotas a seguir o mesmo caminho.

ÉPOCA – O que o Afeganistão poderia aprender com a Turquia, um país próximo em que a democracia é mais madura?
Hosseini –
O passado da Turquia a preparou para a consolidação da democracia. É um caminho que o Afeganistão ainda não percorreu e está longe de percorrer. Mas isso pode acontecer. O grande mérito da Turquia foi preservar o Estado laico. Eu ficaria muito preocupado se a Suprema Corte do Afeganistão decidisse adotar a lei islâmica. A religião pode ser uma grande força construtiva e positiva, mas a Constituição não é seu lugar. Nossa Constituição atual dá margem a isso.

ÉPOCA – O escritor Salman Rushdie tornou-se conhecido no Ocidente por suas críticas ao islã. Sua visão de religião é semelhante à dele?
Hosseini –
Nunca tive muito interesse em escrever sobre religião. Fui criado num lar quase secular. Meus pais me ensinaram que a religião é algo privado. Não éramos obrigados a rezar ou jejuar. Hoje sou um muçulmano cultural, mas não sou um muçulmano praticante. Acredito que é possível escrever sobre religião e até criticá-la de forma ponderada, sem provocar ou insultar. Mas invejo o fato de os ocidentais poderem discutir livremente o assunto, sem medo de represálias. O mundo islâmico ainda não atingiu esse estágio.

ÉPOCA – O senhor se tornou uma espécie de embaixador cultural do Afeganistão. Sente- se à vontade para criticar o país?
Hosseini –
O dever de um escritor é ser sincero. Se eu começar a escrever sobre o que os outros acham que devo escrever, minha relação com o leitor terá sido corrompida. Tento escrever sobre o Afeganistão da forma mais realista possível. Meus livros provocam reações divididas nos afegãos. Algumas pessoas já escreveram que faço uma apologia da vida ocidental, que sou um agente da CIA e que exploro as tragédias alheias em benefício próprio. Outras gostam de ver o país retratado em meus livros e reconhecem sua realidade. Entendo essas reações. Passei 33 anos sem viver no Afeganistão, depois resolvi escrever um livro sobre a vida no país. As pessoas que continuaram lá por todo esse tempo têm direito a suas opiniões.

ÉPOCA – Sua literatura é oriental ou ocidental?
Hosseini –
Quando cresci, meu livro favorito era O livro dos reis, um épico persa escrito há mais de 1.000 anos. É grandioso, dramático e cheio de mitologia. Esse livro me influenciou muito. Também cresci ouvindo histórias contadas por minha avó e meu pai. Essa tradição da narrativa oral é algo que me define como escritor. Tive algumas influências ocidentais, como os livros de James Bond e os filmes de John Wayne, e vivo no Ocidente. Mas, quando me sento para escrever, a voz e o ritmo são orientais.

ÉPOCA – Quais são seus escritores ocidentais favoritos?
Hosseini –
Alice Munro é uma mulher que admiro muito. É uma contista maravilhosa. Mereceu ganhar o Nobel de Literatura. Li tudo o que ela escreveu. Suas histórias são cheias de mistério. Ela não dá respostas fáceis. O leitor precisa se esforçar para compreender o sentido de suas histórias. Nada termina da maneira como você espera. Também gosto do dominicano Junot Diaz, que escreve com uma musicalidade linda. E convivo com muitos escritores na Califórnia. Alguns se tornaram meus amigos. Isabel Allende é alguém que sempre admirei e se tornou uma grande incentivadora.

ÉPOCA – Todos os seus livros têm personagens afegãos. O senhor se sente obrigado a escrever sobre sua terra natal?
Hosseini –
Sinto a obrigação de escrever livros verdadeiros. Se eu tiver uma história ótima na cabeça e ela for ambientada na Califórnia, não deixarei de escrevê-la só porque as pessoas esperam que eu escreva sobre o Afeganistão. Por acaso, me interessei muito pelo Afeganistão nos últimos dez anos. Talvez não tenha mais uma história a contar sobre o país. Talvez não tenha mais nenhuma história para contar. Toda vez que me sento para escrever, tenho a sensação de que o livro não irá a lugar algum, ninguém vai lê-lo e não tenho nada a dizer. Ter conseguido publicá-los é uma surpresa maravilhosa. Se as pessoas se lembrarem de mim no futuro, serei lembrado como alguém que trouxe o verdadeiro Afeganistão para os olhos do Ocidente. Nada que eu possa fazer em minha carreira mudará isso.

ÉPOCA – Se, daqui a dez anos, o senhor escrever um novo livro ambientado no Afeganistão, que país gostaria de descrever?
Hosseini –
Adoraria escrever um livro em que as guerras, o extremismo e a pobreza não aparecessem. Um livro que pudesse se concentrar apenas nos personagens, sem fazer uma crônica de tragédias e violência. É um caminho longo. Os próximos anos serão difíceis. Mas é disso que o Afeganistão mais precisa, de uma geração que não tenha nascido em meio a conflitos armados e que não veja a violência como algo cotidiano, cujos heróis não carreguem armas. Seria maravilhoso se o país estivesse em paz daqui a dez anos.

   


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