17 maio 2020

Resenha - Segredo de Justiça, Andréa Pachá

Livro: Segredo de Justiça
Autor(a): Andréa Pachá
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
Adquira: Amazon
Livro cedido através da parceria com a editora
Relançamento da obra de Andréa Pachá que deu origem à série Segredos de Justiça, do ’Fantástico
A vida não é justa e a felicidade não é um direito. Os anos passados na Vara de Família forjaram não apenas essas constatações na trajetória de Andréa Pachá, mas também proporcionaram uma miríade de histórias, de “dores tão parecidas e tão desiguais”. Com sensibilidade, a juíza reúne narrativas ficcionais baseadas em duas décadas de experiência em mediações dos mais diversos conflitos em família. A honestidade com que os casos são expostos e a vulnerabilidade que emana a cada página despertam em nós uma identificação imediata e são um convite para quem deseja entender mais de si mesmo através dos dramas e das alegrias do outro. Relançada agora pela Intrínseca, a obra conta com nova capa e projeto gráfico, além de prefácio assinado por Ana Maria Machado.

Quando alguém se apaixona, é lançado no olho de um furacão de sonhos e expectativas. Esperamos ser amados até em nos nossos piores dias e torcemos para que os momentos felizes sejam eternos. Para muitos o final feliz se concretiza, mas outros vêem suas vidas seguindo um roteiro pouco característico dos contos de fadas modernos. Eles se tornam obstinados em busca da justiça que faltou em suas vidas. Ahh, se soubessem que justiça e felicidade não são garantidos a ninguém.

Através dos olhos de uma Juíza real, encontramos personagens fictícios que desfilam por seu tribunal. É triste, não tem como não ser. Uma dose de realidade que nos mostra a evolução da sociedade nos últimos anos e a transformação que isso causou nos relacionamentos familiares.

Segredos de Justiça não é um livro inédito. Já foi usado como base para uma série de televisão e agora chega ao catálogo da Intrínseca. A maioria das crônicas fala sobre relacionamentos que chegaram ao fim; deixam claro que o término nem sempre coincide com o fim do amor. E esse sim, é um luto difícil de ser superado.

Relacionamentos familiares, de uma forma geral, são complicados. Pais que abandonam seus filhos, avôs que tem os netos como bote salva-vidas, crianças que são peões em um jogo que não podem vencer. Vemos adultos delegando suas responsabilidades para alguém que acreditam ser a personificação da justiça, mas que no fundo é apenas mais um ser humano. É um misto de sentimentos entender que apesar de ficção, tudo isso é real.

Entre as coisas que esse livro me fez pensar, duas me tocaram muito. A primeira foi a constatação de que ainda sou muito falha. Nós julgamos o outro em uma velocidade muito maior do que seria aconselhado. E julgamos com base no que? Nas aparências, na nossa vivência e pré-julgamentos. A segunda foi o controle ambíguo que temos sobre nossas próprias vidas. As minhas ações são definidas por mim, mas o quanto minha vida pode ser transformada a partir das ações de um outro alguém? Como eu reagiria?

Quem ainda não conhece os livros da autora, recomendo fortemente que o faça. Não são felizes, mas são necessários.

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