19 setembro 2016

Resenha - O navio das noivas, Jojo Moyer


Livro: O navio das noivas
Autor(a): Jojo Moyer
Editora: Intrínseca
Páginas: 384
Adquira: Saraiva | Submarino | Travessa | Americanas | Livraria Cultura
Livro cedido através da parceria com a editora
Austrália, 1946. É terminada a Segunda Guerra Mundial, chega o momento de retomar a vida e apostar novamente no amor. Mais de seiscentas mulheres embarcam em um navio com destino a Inglaterra para encontrar os soldados ingleses com quem se casaram durante o conflito. Em Sydney, Austrália, quatro mulheres com personalidades fortes embarcam em uma extraordinária viagem a bordo do HMS Victorious, um porta-aviões que as levará, junto de outras noivas, armas, aeronaves e mil oficiais da Marinha, até a distante Inglaterra. As regras no navio são rígidas, mas o destino que reuniu todos ali, homens e mulheres atravessando mares, será implacável ao entrelaçar e modificar para sempre suas vidas.  Enquanto desbravam oceanos, os antigos amores e as promessas do passado parecem memórias distantes. Ao longo da viagem de seis semanas — apesar de permeada por medos, incertezas e esperanças — amizades são formadas, mistérios são revelados, destinos são selados e o felizes para sempre de outrora não é mais a garantia do futuro que foi planejado.


Após o fim da Segunda Guerra Mundial, as esposas de militares ingleses que estavam em serviço no exterior começaram a ser repatriadas, ou seja, levadas para a Inglaterra ao encontro de seus maridos. Em junho de 1946, seiscentas e cinquenta e cinco noivas australianas embarcaram em Sydney com o mesmo destino, porém sua travessia não teria o luxo do qual ouviram falar. Durante as seis semanas a bordo do porta-aviões HMS Victorious, elas teriam a companhia de mais de mil marinheiros, munição e dezenove aeronaves.

Metade das mulheres estava histérica e parceia não saber se ria ou chorava. A outra metade só lotava o navio, se perdia nos conveses de baixo [...]

As mulheres que abandonavam suas famílias rumo ao desconhecido levavam consigo a fé de que encontrariam a felicidade ao final dessa jornada. Elas chegaram ao porto de Plymounth munidas de esperança e foi inspirada nas histórias dessas mulheres, entre elas sua avó, que Jojo Moyes escreveu esse livro que não pode ser descrito como nada menos que emocionante.

Em um dos muitos cubículos montados exclusivamente para acomodar as novas passageiras, estava quatro mulheres muito distintas. Com a ausência da mãe, Maggie ficou responsável pelos afazeres domésticos da fazenda onde morava com o pai e irmãos. Joe, seu marido, era um dos amigos que seus irmãos traziam para casa e em pouco tempo eles estavam casados. Quando recebeu o telegrama comunicando que estava entre as selecionadas para embarcar no HMS Victorious, já estava nos últimos meses de gestação e nem isso a fez desistir de ir ao encontro de seu amado. Filha do maior produtor de rádio de Melbourne, Avice é uma jovem mimada e egoísta que consegue sua vaga através dos contatos do pai. O romance o oficial Ian Stewart foi amor a primeira vista, mas o casamento foi um tanto quanto inesperado pelo rapaz. É difícil dizer se ela detesta mais estar a bordo de um porta aviões sem nenhum luxo ou dividir a cabine com mulheres que não estão a altura de sua classe. Aos 16 anos, Jen é uma das mais jovens a bordo. Vinda de uma família pobre, seu marido foi a melhor coisa que a vida lhe deu. Apesar de ter um jeito todo atirado (e inaceitável para a época), ela é ingenua e extremamente sincera. Frances só queria começar de novo. Reservada, pouco se sabe sobre a vida da Enfermeira MacKenzie além do tempo dedicado ao exercito e que seu marido era um de seus pacientes. Quem for persistente na ideia de conhece-la melhor, descobrirá que o fardo que ela carrega é devastador.


Narrado em terceira pessoa, O navio das noivas vai além da ficção e apresenta trechos reais retirados de revistas e diários da época. A autora também não se limita a essas mulheres e, entre os muitos personagens apresentados, é fácil destacar o Almirante Highfield e o Fuzileiro Naval Nicol.

Dividido em três partes, apenas a segunda é dedicada ao HMS Victorious e seus tripulantes. A história se inicia com Jennifer, que achou que seria uma boa ideia levar sua avó otagenária em sua viagem pela Índia. Ao passarem por um porto, conhecido por ser um grande cemitério de navios, a senhora se depara com a carcaça do navio que mudou a sua vida. Porém, sua identidade é mantida em sigilo até o último capítulo.

Não vou mentir para vocês, pensei que iria me decepcionar com essa história. Após ler os agradecimentos da autora, que vieram no início do livro, e descobrir o embasamento real eu fiquei extremamente empolgada com a leitura, mas a história não me fisgou logo de primeira. Primeiro, temos a Jennifer, que é uma mala sem alça, egocêntrica, que não pensava na avó em nenhum momento da viagem. Depois foram sendo introduzidos tantos personagens que eu fiquei sem saber o que esperar. Eu não havia lido a sinopse, logo, não sabia que existiam quatro protagonistas, mas o que me deixou mais confusa é que a autora entrava muito na vida de cada uma delas antes de embarcar. Demorou quase cem páginas para a leitura engrenar, mas depois disso, não larguei o livro até finalizá-lo.

Aqueles passos pesados, a postura rígida, sua arma, tudo a fazia lembrar que estavam confinadas, aprisionadas. Ao mesmo tempo, eram vigiadas e se sentiam protegidas das forças desconhecidas dos conveses inferiores. Às vezes, quando ficava angustiada com a proximidade de tanta gente, de tantos homens estranhos, e também com seus isolamento, ela se sentia aliviada por ele estar montando guarda na porta. Mas na maior parte do tempo, ela o repudiava por fazer com que se sentisse um objeto, a propriedade de alguém a ser protegida.

Não chorei, mas me emocionei em vários momentos da história. Como todos os livros da autora, há tanto o que refletir sobre os assuntos abordados que está até difícil passar para a próxima leitura. Fico me perguntando o quão reais podem ser as histórias retratadas, como era a vida daquelas mulheres e como ficou suas vidas depois do desembarque. Enfim, é uma história que merece ser lida, principalmente para aqueles que, como eu, amam quando o livro possui um plano de fundo histórico.

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6 comentários

  1. Olá Dreeh!
    Menina eu adorei a sua resenha, comprei este livro e não vejo a hora de chegar para eu poder lê-lo. Fiquei muito empolgada com a história desde que vi o livro pela primeira vez, e eu fiquei com um pouco de medo de ler resenhas e me decepcionar. Ainda bem que a sua foi positiva.

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  2. Não dava para esperar algo diferente da Jojo né? Ela é uma mestre em trazer histórias que emocionam e prendem. Essa parte da história, o realismo, é tudo ali, colocado nas páginas para que o leitor também embarque!
    Lerei assim que possível!!
    Beijos

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  3. Achei que a história parece um pouco com o fundo do filme Titanic, onde ao rever uma imagem a senhorinha lembra de tudo que viveu e se começa a traçar uma nova história. Achei a capa linda de viver, assim como todas as capas da Jojo Moyes. Mas me julgue nunca li nada dela, aiaiaia, me falta dinheiroooo. Quero sim ler e me emocionar com cada história contada!

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  4. Oi Dreeh,
    Sou fã da Jojo Moyes, e minha leitura atual é O Navio das Noivas.
    AMEI que esse livro é inspirado na história da sua avó, uma esposa de guerra, gostei muito desse drama bem real. Adoro romance que se passa na guerra ou no período pós-guerra, já estou muito envolvida com as histórias das quatro esposas. Também demorou alguma paginas para a leitura engrenar, mas agora não consigo mais largar o livro. A Frances é bem misteriosa mesmo, ainda não sei o que aconteceu com ela, mas já tenho uma ideia, e com certeza será devastador.
    Beijos

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  5. Oi, tudo bem?
    Parece mentira, mas é verdade, eu nunca li nada dessa autora. Talvez por que não é um dos meus gêneros preferidos, então vou adiando. Mas sei que sua escrita é sempre emocionante e profunda. Esse livro está com uma premissa ótima, pois com esse fundo histórico, só pode ter enriquecido a obra. Pretendo ler. A capa está linda. Sua resenha está perfeita. Beijos.

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  6. A sinopse é muito boa. No começo fala das buscas pelos amores que aquelas mulheres estão fazendo, em busca da felicidade.No meio aborda o fato de elas terem se decepicionado ao verem que a viagem que iriam ter , não era aquela que esperavam, ou seja , não esperavam pelos montes de homens que iriam encontrar, e se desesperam.A sinopse termina deixando um gostinho de mistério ,nos convidando a terminar a história para saber o que acontece com as pobres mulheres.

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