Querido Werner,
Senti muito em saber de sua angústia ao ser escolhido para fazer parte de uma guerra, sua trajetória é realmente extraordinária, mesmo quando todos achavam que era pequeno demais e não daria conta do recado, mesmo quando te julgaram por sua aparência franzina, você mostrou que o talento e caráter vêm de dentro. Imagino o quanto foi ruim para você, e os anos de juventude que lhe custaram a experiência de viver em meio ao terror e desumanidade nazista, e para ser ainda pior; não ter escolha, ser coagido a fazer parte deste horror, ter que viver em meio a violência e obediência cega. Sabe Werner, nem sempre em tempos de guerra temos a chance de usar nossos dons para fazermos algo que apenas contribua para o bem de uma nação, aí é que está a mágica: precisamos criar alternativas e viver da melhor forma possível, tenho certeza que com Marie Laure você aprendeu isso.
Enfim, não podemos perder as esperanças e o amor ao próximo. Nunca, em tempo algum.
Um abraço!
Paula Duarte


