A mãe já tem o futuro traçado para a filha. Mas será que a filha compartilha os mesmos sonhos? Em ‘A menina que não queria ser top model’, Lia Zatz nos coloca diante da relação delicada entre mãe e filha. Nessa narrativa, sensível e dinâmica, todos têm voz e querem contar sua história. Não existe o certo e o errado. Apenas duas pessoas aprendendo a se conhecer e, ao mesmo tempo, a se relacionar uma com a outra com o mundo.
SÉRIE: Volume
Único
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AUTOR: Lia Zatz
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EDITORA: Biruta
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EDIÇÃO: 2011
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PÁGINAS: 156
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CONCEITO: 5 estrelas
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Virginia sempre soube o que queria para o futuro de
sua querida filha: ela seria top model e teria uma carreira brilhante e
glamurosa. Virginia não imaginava que a menina fosse tão azarada desde sempre. Nascida
em um dia 13, a
menina recebeu o nome Vitória e freqüentou ainda pequena uma mãe de santo que
prometia limpar a áurea da menina. Virginia pesquisou muito: leu reportagens de
moda e alimentação em suas revistas chiques, ouviu todos os nutricionistas
famosos que concediam uma entrevista pública... Tudo que ela pudesse fazer para
o melhor da futura carreira de Vitória, ela faria. Ela só esqueceu de perguntar
a menina se esse também era o sonho de sua vida.
Com toda a pressão que a mãe exercia sobre ela,
Vitória passou a ter um grande sonho: ser
uma criança normal! Que brinca na rua, que come bolos e salgadinhos nas
festinhas... Sua mãe passou tantos anos lhe oferecendo bolinhos de arroz
integral, que no dia em que se rebelou e decidiu que comeria o que bem
entendesse ela exagerou, e muito. Isso acabou lhe custando alguns dias no
hospital e uma doença muito séria.
Porém, tudo isso acontece antes do inicio desse
livro! Esses momentos do passado chegam até o leitor através do narrador e das
lembranças de ambas. No presente, Vitória está completando mais um ano de vida
e aproveita para fazer uma viagem com os amigos. Longe dos olhos da mãe, ela
curte um pouco da liberdade que é permitida a uma garota de 14 anos.
O livro se divide em 33 mini capítulos, que se
alternam entre nossa protagonista, sua mãe e o narrador. O narrado conta os
fatos da história em terceira pessoa, enquanto Vitória e Virginia contam em
primeira pessoa. Essa divisão ficou muito clara através da diagramação que
distingue os três através de corres e fontes. Além de permitir que o leitor se
sinta bem perto dos personagens e da cena que está se desenvolvendo.
Esse livro fala de assuntos pra lá de delicados. Os
pais sempre querem o melhor para seus filhos, todos sabemos disso e não
acredito que alguém discorde. O problema aqui é que Virginia traça o futuro da
filha nem nunca se preocupado em saber o que a menina achava da idéia. Ela
seria uma top model e ponto final. Todas as limitações impostas pela mãe não só
deixam à cabeça de Vitória em parafusos – porque a menina não consegue entender
o que ela tem de tão especial que a impede ser como as demais crianças – como a
longo prazo fazem com que desenvolva um doença gravíssima!
Não é incomum encontrar pais e mães que, por algum
motivo qualquer, tiveram que abandonar os sonhos de suas vidas e projetam nos
filhos esses sonhos. Mas tudo deve haver um limite, o que nem hipótese nenhuma
existiu entre Virginia e Vitória. O fato da mãe não aceitar que pode sim está
fazendo tudo errado foi o que mais chamou atenção no livro.
O leitor consegue compreender ambos os pontos de
vista, o que transforma o livro em mais o que uma boa leitura para os
adolescentes, ele passa a ser também indicado aos pais. Principalmente aqueles
que podem estar passando por uma situação semelhando com seus filhos.

