14 janeiro 2018

Resenha - Extraordinárias, Duda Porto de Souza e Aryane Cararo


Livro: Extraordinárias
Autor(a): Duda Porto de Souza e Aryane Cararo
Editora: Seguinte
Páginas: 208
Adquira: Saraiva | Amazon
Livro cedido através da parceria com a editora
Dandara foi uma guerreira negra fundamental para o Quilombo dos Palmares. Bertha Lutz foi a maior representante do movimento sufragista no Brasil. Maria da Penha ficou paraplégica e por pouco não perdeu a vida, mas sua luta resultou na principal lei contra a violência doméstica do país. Essas e muitas outras brasileiras impactaram a nossa história e, indiretamente, a nossa vida, mas raramente aparecem nos livros. Este volume, resultado de uma extensa pesquisa, chega para trazer o reconhecimento que elas merecem. Aqui, você vai encontrar perfis de revolucionárias de etnias e regiões variadas, que viveram desde o século XVI até a atualidade, e conhecer os retratos de cada uma delas, feitos por artistas brasileiras. O que todas essas mulheres têm em comum? A força extraordinária para lutar por seus ideais e transformar o Brasil.


Mulheres a frente do seu tempo, que não ficaram inertes diante dos acontecimentos ao seu redor. Nenhuma delas cresceu querendo ser revolucionária, mas como não era uma opção se conformar em apenas cumprir o papel que a sociedade lhes designou, elas foram lá e fizeram. Fizeram a diferença pelo seus iguais, pelos seus ideais, pelo seu país e pelo mundo.

Olhando rápido parece que estou falando de alguma mocinha saída de um romance de época, mas Extraordinárias não é um livro de ficção, é um livro sobre a nossa históra. Nele iremos conhecer um pouco mais sobre o nosso Brasil através da vida de quarenta e quatro mulheres que estiveram e sempre estarão vivas, se não na nossa memória, em algum livro de história.

Como não há um enredo para eu contar, essa resenha é composta exclusivamente por minhas impressões. Algumas histórias me deixaram perplexas, enquanto outras despertaram minha compaixão. A indignação também fez parte das minhas reações, principalmente em histórias mais recentes e que mostram a falta de transparecia daqueles de detém o poder e que deveriam zelar pela população. Fiz questão de inclui algumas ilustrações para que vocês vejam o quão singular são essas mulheres.

Geordina de Albuquerque por Bruna Assis Brasil  |  Berta Luz por Barbara Malagoli   Antonieta de Barros por Veridiana Scarpelli

Este é um livro que fala sobre primeiras, mas nunca únicas. Como a índia Madalena Caramuru, que foi a primeira brasileira a ser alfabetizada e iniciou a luta para que as mulheres tivessem acesso a educação. Muitas vieram depois dela como Maria Firmina dos Reis que, mesmo sendo a primeira romancista brasileira e fundadora da primeira escola mista do Maranhão, quase teve seu nome apagado da história. Mas longe dela ser a primeira mulher a trocar os salões de beleza pelas letras. Quase trinta anos antes, uma jovem com apenas 22 anos anos chamada Nísia Floresta, publicava Direito das mulheres e injustiça dos homens, o primeiro livro feminista no país. Isso lá em 1832.

Há revolucionárias de todos os tipos e em todas as áreas. Muitas foram guerreiras no sentido mais literal da palavra, participando de revoluções, em combate armado ou não, como Maria Felipa de Oliveira e suas vedetas que enfrentaram os holandeses munidas apenas com suas peixeiras. E como não se inspirar com Maria Quitéria, que enganou seu pai para se alistar e lutar contra o domínio português na Guerra da Independência. O melhor foi saber que a mulher era tão boa em cima de um cavalo e com arma na mão, que ninguém deixou que ela fosse levada de volta por seu pai. Isso e saber que existia outra mulheres naquele batalhão.

Uma de minhas maiores surpresas foi conhecer a verdadeira história de alguns nomes já famosos. Me identifico muito com a música Pagu, da Rita Lee, mas jamais imaginei que ela era em homenagem a uma mulher. Patrícia Galvão foi ativista, cronista, romancista, militante, feminista, etc, que doou sua vida a política, as suas causas. E teria morrido por elas se preciso fosse. Sempre que pensava em Chiquinha Gonzaga, que inclusive teve sua história contava na televisão, eu imaginava uma escrava que teve relevância em sua época. Porém sua história vai tão além! Musicista e boêmia, ela tocava diversos instrumentos. Foi a primeira maestra que tivemos e a composição de 'Oh abre alas' é dela! Preciso admitir que quase cai do sofá ao constatar que Anita Garibaldi é brasileira e Carmem Miranda não.

Laudelina de Campos Melo por Laura Athayde  |  Princesa Isabel por Yara Kono  |  Nicia Vieira por Joana Lira

Aprendi muito durante a leitura, mas uma descoberta que me deixou meio sem reação, foi a existência do Livro de Aço, também conhecido como O livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O livro fica no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília e nele contam os nomes, acompanhados de suas respectivas biografias, de pessoas importantes para a história do país. Dos quase trinta e cinco nomes gravados nele, apenas 6 são mulheres. Quatro delas estão em Extraordinárias

Por não ser uma história contínua, esse é o tipo de livro que pode habitar a cabeceira do leitor e proporcionar uma leitura lenta e apreciativa. Os mais ávidos, como eu, podem ler história atrás de história, parando apenas para absorver o conteúdo apresentado. Extraordinárias é uma combinação perfeita entre conteúdo e elementos gráficos. Além de demandar uma pesquisa gigante por parte das autoras - as referências estão todas no final do livro -, ainda apreciamos o trabalho de nove ilustradoras que dão cara a cada uma dessas mulheres. O exemplar também conta com detalhes uma linha do tempo da vida das mulheres no Brasil e um glossário, com palavras que foram destacadas ao longo do livro. Esse recurso foi ótimo para explanar sobre alguns fatos, pessoas ou nomenclaturas, mas sem estender o texto.

Carolina Maria de Jeusus por Adriana Komura  |  Carmen Miranda por Helena Cintra  |  Marta Vieira por Lole

Mulheres fazendo histórias na área da saúde? Temos.
Líder política, guerrilheira, princesa, professoras? Temos.
Cuidando da fauna, flora e do legado de nossos ancestrais? Temos.
Fundando entidades para lutar por direitos trabalhistas e civis? Temos.
Criando cultura e escrevendo o nome do país na história do mundo? Temos.
Negra, rica, índia, alta, branca, gorda, cabocla, baixa, parda, pobre, magra. TEMOS TODAS!

Extraordinárias fala sobre mulheres, mas todo brasileiro deveria dar uma chance a essas páginas. É uma leitura esclarecedora e, principalmente, inspiradora.

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Valendo um exemplar de Lady Whistledown Contra-Ataca.

5 comentários

  1. Oi!

    Acho que é um livro que ressalta bem o extremo valor dessas mulheres que tiveram sua importância e um papel importante em nossa sociedade, diante das circunstâncias, e que merecem o devido reconhecimento por serem tão guerreiras!

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  2. Tive o prazer de segurar este livro nas mãos agora no mês de Dezembro. Minha irmã ganhou ele de presente de Natal de uma amiga e eu pude olhar as fotos, imagens e ler ao menos um pouco por cima, a vida destas grandes mulheres que fizeram parte e ainda fazem parte da nossa história.
    É um livro belíssimo, formato, cores, tudo nele é perfeito e saber mais sobre a luta destas heroínas é sempre uma grande descoberta.
    Quero muito ter o meu exemplar..rs
    Beijo

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  3. Achei super interessante este livro, um livro sobre a história de mulheres, e que faz o leitor conhecer um pouco mais sobre o Brasil através da vida de quarenta e quatro mulheres, que bom que é uma leitura esclarecedora e inspiradora, sem dúvidas pretendo ler Extraordinárias.

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  4. Garota! Eu estou simplesmente alucinada por esse livro desde que vi ele nos lançamentos do skoob e vi do que se tratava. Minha avó se chamava Maria Quitéria por causa dessa mulher guerreira aí do livro e eu quero muito conhecer mais dela e de todas as outras. Resenha incrível, espero sentir metadinha do que tu sentiu. É um baita despertar, né nom?!

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  5. Dreeh!
    Acredito que seja um daqueles livros que temos 'obrigação' de ler, para poder conhecermos um pouco mais sobre essas bravas mulheres que de alguma forma se tornaram extraordinárias em suas áreas de ação.
    Importantíssimo!
    Desejo uma semana mais que abençoada e Novo Ano repleto de realizações!!
    “Meta para o Ano Novo? Ser feliz!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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