12 setembro 2016

Resenha - Pensei que fosse verdade, Huntley Fitzpatrick


Livro: Pensei que fosse verdade
Autor(a): Huntley Fitzpatrick
Editora: Valentina
Páginas: 336
Adquira: Saraiva | Submarino | Travessa | Americanas | Livraria Cultura
Livro cedido através da parceria com a editora
Gwen Castle nunca quis tanto dizer adeus à sua ilha natal quanto agora: o verão em que o Maior Erro da Sua Vida, Cassidy Somers, aceita um emprego lá como faz-tudo. Ele é um garoto rico da cidade grande, e ela é filha de uma faxineira que trabalha para os veranistas da ilha. Gwen tem medo de que esse também venha a ser o seu destino, mas, justamente quando parece que ela nunca vai conseguir escapar do que aconteceu – ou da ilha –, o passado explode no presente, redefinindo os limites de sua vida. Emoções correm soltas e histórias secretas se desenrolam, enquanto Gwen passa um lindo e agitado verão lutando para conciliar o que pensou que fosse verdade – sobre o lugar onde vive, as pessoas que ama, e até ela mesma – com o que de fato é.


A Ilha de Seashell pode ser considerada um paraíso pelos veranistas com suas casas em frente a praia, que todo verão chegam cheios de vontades se achando os donos do ilha. Os nativos tem aquele paraíso natural ao seu dispor o ano inteiro, mas possuem uma realidade bem menos glamourosa e Gwen Castle é um dos que contam os dias para fugir dali.

Só falta um ano para me formar. Aí vou poder dar o fora daqui. Deixar esses garotos - e o ano que acabou - bem longe no espelho retrovisor.

Sua família, apesar de muito amorosa, é um dos motivos para querer ir embora. Sua mãe é uma das principais faxineiras da ilha e seu pai é dono da lanchonete onde trabalhou por muitos verões. Ambos estão enraizados ali, vivendo em um comodismo que ela não quer para si. Seu irmão mais novo, Emory, tem uma deficiência intelectual não identificada que é parecida com autismo e por isso precisa de supervisão constante. Em algum momento do futuro, ela e seu primo Nic serão os únicos responsáveis por ele mas, até que esse momento chegue, há muito o que se viver - e não, nenhum dos dois vê essa responsabilidade como um fardo.

Outro motivo, provavelmente o principal nesse verão, foram as escolhas mal feitas no último ano e que tem tudo a ver com garotos. Com o intuito de evitar o pessoal do colégio, ela decide passar o verão trabalhando na ilha, como acompanhante de uma senhoria muito simpática. Uma remuneração melhor, um trabalho menos desgastante e muitas horas para aproveitar o sol e a natureza. Seria perfeito se o novo faz tudo da ilha não fosse o seu maior sonho pesadelo: Cass Somers.

Falando assim, parece que essa história se resume a um simples romance adolescente onde o casal levará muitas páginas para acertar os ponteiros e isso de fato acontece, mas apesar de ser mega fofo, o romance não é o ponto mais relevante do livro.

Dividida entre a vontade de dar um soco nele e apenas rir, reviro os olhos em direção aos Céus. Detesto o jeito como ele joga charme - por saber muito bem como é eficiente.

Apesar de ser narrado em primeira pessoa, existe muita abertura para as histórias paralelas dos seus vizinhos, amigos e familiares. São muitos personagens secundários e todos, sem exceção, acrescentam algum ponto reflexivo ao livro. O que é um reflexo do quão bem construído eles são. A história começou meio devagar e houve um mistério desnecessário sobre as escolhas ruins de Gwen, mas Huntley Fitzpatrick me conquistou mais uma vez.

As tramas que mais me envolveram tinham ligação com seu primo, Nic Cruz. Nic foi criado pelos tios, fazendo com que ele e Gwen tivessem uma relação quase de irmãos. Na infância eles formavam um trio com Vivien, que depois acabou se tornando sua namorada. Eles foram o primeiro um do outro em tudo e pretendiam ser o único. É aquela velha história do amor de infância que dura a vida toda, uma teoria linda - com a qual acho que todo mundo já fantasiou um dia - mas que nunca leva em consideração o quando as pessoas mudam ao longo dos anos.

Querendo ou não o casal influencia muito a vida de Gwen. Além de ter vivido à sombra desse relacionamento perfeito, existia o conflito amizade x família e que depois ganha a variável relacionamento. Sua lealdade precisava estar em apenas um dos lados ou ela saberia ser imparcial, independente da situação? Situações assim são muito comuns em qualquer fase da nossa vida, então eu achei extremamente fácil se por no lugar da personagem e me questionar como eu reagiria a certas situações.

Enquanto Gwen não tem muitos planos definidos, Nic sabe exatamente onde quer chegar. Ele pretende ingressar na Guarda Costeira após a formatura e por ser tão concorrido, o posto de capitão da equipe de natação do colégio e um indicação do treinador podem fazer a diferença. Cass e, seu melhor amigo, Spence acabaram de ser transferidos e agora também fazem parte da equipe. Apesar de morarem na região, eles integram o grupinho de esnobes que Gwen, Nic e Vivien sempre detestaram. Nic acredita que precisa ser melhor do que eles a qualquer custo, afinal de contas, eles são ricos, podem fazer o que quiserem, logo não precisam tanto quando ele. Será?

Sinto o impulso de torcer por Cass. Contra meu próprio primo? O sangue pode ser mais forte do que o cloro, mas os hormônios parecem ferrar a equação.

Falei bastante coisa né? Mas esses são apenas alguns dos pontos relevantes da história. Antes de finalizar minha análise quero deixar registrado que meus personagens preferidos foram Cass, que apesar de clichê é apaixonante e Emory, que só de pensar nele meu coração fica apertadíssimo, mas transbordando de amor.

Graficamente esse livro é a cara da Editora Valentina. A capa é linda, chamativa e esse entrelaçado do título com casal deu um toque todo diferenciado. Os capítulos começam com uma fonte fofinha, as páginas tem coraçãozinho e a numeração é na margem superior. O texto em si tem um diagramação confortável para a leitura. Encontrei alguns erros de digitação, nada que atrapalhasse, mas que espero que sejam concertados em uma próxima edição.

Pensei que fosse verdade, vai falar sobre insegurança, escolhas e amadurecimento. É um livro altamente recomendado para os jovens, mas que pode deixar os mais velhos com aquela saudade do que já vivemos, ou não.

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5 comentários

  1. Dreeh gosto muito quando um livro traz mais do que um simples romance, mas quando proporcional ao leitor uma experiência única, onde amadurecimento de personagens, escolhas erradas e a influência da família podem ser os maiores vilões na trama, falar com tanto discernimento e envolver cada palavra é o que me faz querer um livro, e você me fez querer esse!

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  2. Olá!
    Dreeh gostei muito da sua resenha, você como sempre fala sobre tudo bem detalhadamente e não apenas dá uma passada na história e pronto. Gosto de saber o que as pessoas sentem quando leem os livros e nas suas resenhas vejo muito isso. Me interessei pelo livro, e quero ler e acompanhar essa história.

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  3. Oi, Dreeh!
    Suas resenhas são sempre muito bem explicadas e sinceras. E quase sempre, me motivam a conhecer mais do enredo. Não é muito meu estilo de leitura, mas em consideração a suas palavras, se tiver oportunidade, vou dar uma chance ao livro. Obrigada pela dica. Beijos.

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  4. Aprecio demais histórias assim, onde todos os personagens tem seu papel definido e de certa maneira, contam também suas histórias dentro de outra história.
    A capa é realmente digna da Valentina, que na minha humilde opinião, é a Editora que mais tem capas lindas!
    Lerei se possível!!!!
    Afinal de romance e desencontros, eu gosto muito!!
    Beijos

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  5. Oi Dreeh,
    Quero muito conhecer a escrita da Huntley Fitzpatrick, mas acho que vou acabar escolhendo Minha Vida Mora ao Lado para ler primeiro.
    Gostei muito de saber que esse livro não é apenas um romance de adolescente, mas que traz também, alguns pontos de reflexão. Amo quando os personagens secundários são tão importantes quanto, isso sempre deixa a leitura mais envolvente.
    Com certeza vou querer ler esse livro.
    Beijos

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